O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano-EUA), deixou a Turquia em uma operação secreta de segurança após autoridades americanas identificarem uma ameaça considerada crível contra o chefe de Estado e o avião presidencial. A informação foi revelada pelo The Washington Post e detalhada nesta terça-feira (11) por outras publicações internacionais.
Segundo o jornal americano, Trump havia participado da cúpula da Otan em Ancara e, em 8 de julho, foi visto embarcando no antigo Air Force One diante das câmeras. A movimentação, porém, teria feito parte de uma operação de despiste.
De acordo com as informações divulgadas agora, Trump teria deixado discretamente a aeronave por uma área reservada do aeroporto e sido transportado em um veículo usado para serviços de alimentação até uma aeronave militar C-32A, utilizada para transportar autoridades americanas. O Air Force One continuou o trajeto até a base aérea de Mildenhall, no Reino Unido, como se o presidente ainda estivesse a bordo.
Ameaça teria relação com o Irã
A operação teria sido organizada depois que autoridades americanas receberam informações sobre uma possível ameaça atribuída ao Irã e a grupos aliados. Segundo relatos de autoridades citados pela imprensa americana, havia preocupação específica com a segurança de Trump e da aeronave presidencial.
A informação sobre uma ameaça considerada crível já havia sido divulgada anteriormente pela imprensa americana. Em 24 de julho, a CBS News informou que autoridades haviam identificado uma possível ameaça envolvendo o presidente durante sua saída da Turquia.
A preocupação ocorria em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Durante a viagem, Trump chegou a afirmar publicamente que era um dos principais alvos de Teerã.
Air Force One teria servido como despiste
A estratégia permitiu que o antigo Air Force One deixasse Ancara normalmente, enquanto a verdadeira saída de Trump permanecia escondida.
O presidente teria sido levado de maneira discreta até o C-32A, que posteriormente seguiu para o Reino Unido. A aeronave utilizada como despiste também chegou à base de Mildenhall, mantendo a aparência de que Trump havia viajado nela desde a Turquia.
Assista:
Em julho, quando a troca de aeronaves foi inicialmente noticiada, a Casa Branca apresentou outra explicação. Trump afirmou que o antigo avião seria utilizado no trecho até o Reino Unido “por causa dos velhos tempos”, enquanto o novo avião presidencial, doado pelo Catar, seguiria antecipadamente para Mildenhall para ser apresentado aos militares americanos.
Na ocasião, Trump negou que preocupações de segurança fossem a razão da mudança, embora tenha reconhecido que havia ameaças contra ele.
Novo avião presidencial também estava na viagem
Trump havia chegado à Turquia utilizando o novo Boeing 747-8 recebido dos catarianos e adaptado para uso presidencial. A aeronave foi submetida a modificações para receber sistemas de comunicação e segurança antes de ser utilizada pelo presidente.
No entanto, o avião não foi utilizado diretamente no trecho entre Ancara e o Reino Unido. A aeronave seguiu para Mildenhall, onde Trump posteriormente voltou a embarcar nela para completar a viagem aos Estados Unidos.
O episódio também levantou questionamentos sobre os sistemas de proteção do novo avião. Reportagens anteriores apontaram que a aeronave ainda não teria todas as capacidades defensivas presentes nos antigos aviões presidenciais.
Operação envolveu restrição de informações
A operação teria sido mantida em sigilo até mesmo para parte das pessoas que acompanhavam a viagem presidencial. Jornalistas que estavam no antigo Air Force One foram orientados a manter as persianas das janelas fechadas durante a saída da Turquia, uma medida considerada incomum.
A Casa Branca não confirmou publicamente todos os detalhes da operação relatada pelo Washington Post, mas reconheceu que medidas extraordinárias podem ser adotadas para proteger o presidente diante de ameaças.
O episódio mostra o nível de preocupação das autoridades americanas com a segurança de Trump durante viagens internacionais em meio à escalada das tensões com o Irã. A operação só veio a público semanas depois da viagem à Turquia.
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