O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou que pretende protocolar no Senado um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula da Silva (PT). A iniciativa ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre possíveis relações entre o empresário, lobistas e empresas com interesses junto ao governo federal.
Viana, que presidiu a CPMI do INSS, afirmou que pretende mobilizar parlamentares para alcançar o número mínimo de assinaturas exigido para a instalação de uma CPI no Senado. São necessárias 27 assinaturas de senadores para que o requerimento avance.
“Quero saber quem abriu portas dentro do governo, quais interesses foram intermediados e qual foi, de fato, o papel de Lulinha nos episódios investigados”, declarou o senador.
Investigações envolvendo Lulinha
O movimento ocorre enquanto Lulinha é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de empresas em contratos e negócios envolvendo órgãos públicos.
As apurações também se relacionam ao caso das fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que colocou no centro das investigações o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a lobista Roberta Luchsinger.
A relação entre Lulinha e pessoas investigadas no caso já havia sido alvo de questionamentos durante a CPMI do INSS. Em fevereiro, o colegiado aprovou requerimento para acesso a informações financeiras do empresário, medida posteriormente suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A própria CPMI terminou sem aprovar o relatório final que previa o indiciamento de Lulinha. O texto elaborado pelo relator, Alfredo Gaspar, foi rejeitado pelo colegiado por 19 votos a 12.
Viana cobra novas explicações
Ao anunciar a nova iniciativa, o senador afirmou que a abertura de uma comissão específica seria necessária para esclarecer as relações de Lulinha com empresários e intermediários que aparecem nas investigações.
“Filho do presidente da República não está acima da lei”, afirmou Viana, ao defender a mobilização para conseguir as assinaturas necessárias.
O senador também pediu apoio da população para pressionar parlamentares a aderirem ao requerimento. A eventual instalação da CPI, porém, dependerá do cumprimento dos requisitos regimentais e da análise da Presidência do Senado.
Pedido ocorre após novas investigações
A iniciativa de Viana ocorre em um momento em que as autoridades ampliaram as apurações envolvendo Lulinha. Investigações anteriores da CPMI já haviam analisado a relação do empresário com pessoas ligadas ao esquema de fraudes no INSS. Em março, Viana havia defendido que a abertura de uma empresa de Lulinha na Espanha também fosse esclarecida no contexto das apurações.
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