A popularização da chamada glass skin, expressão usada para descrever uma pele uniforme, hidratada e luminosa, transformou os cosméticos coreanos em uma tendência mundial. No Brasil, a K-Beauty (beleza coreana), abreviação de Korean Beauty, ampliou a procura por produtos importados, principalmente aqueles comercializados pela internet.
O crescimento da tendência, porém, também exige atenção na hora de escolher e utilizar os produtos. Para a dermatologista Marília Acioli, a popularidade de um cosmético não significa que ele seja adequado para todos os tipos de pele.
“Os cosméticos coreanos podem, sim, fazer parte de uma boa rotina de cuidados. O problema começa quando eles são comprados por tendência, sem que a pessoa saiba para que servem, em que ordem devem ser usados ou se realmente são indicados para a sua pele”, explica a médica.
Busca por cosméticos coreanos cresce
A procura pela K-Beauty (beleza coreana) aumentou nos últimos anos. Dados do Google Trends apontam que as buscas pelo tema cresceram 70% em comparação com o ano anterior. Em 2025, a K-Beauty foi tema de pesquisas em 62 países.
O interesse crescente também impulsionou a indústria sul-coreana. Segundo os dados apresentados no material, a Coreia do Sul ultrapassou os Estados Unidos e se tornou a segunda maior exportadora de cosméticos do mundo, atrás apenas da França.
No Brasil, as importações de produtos coreanos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos somaram 1,8 mil toneladas e movimentaram US$ 34,6 milhões.
A expansão da K-Beauty também está relacionada à variedade de formulações e ativos encontrados nesses produtos. Entre os componentes citados estão centella asiática, ácido hialurônico, peptídeos, ingredientes fermentados e PDRN.
“Os cosméticos coreanos apresentam formulações modernas e utilizam ativos que possuem respaldo científico, como centella asiática, ácido hialurônico, peptídeos, ingredientes fermentados e PDRN. Muitos deles oferecem excelentes resultados, mas nenhum cosmético é universal”, afirma Marília.
Segundo a dermatologista, a escolha deve considerar o tipo de pele e as necessidades individuais.
Redes sociais impulsionam a tendência
As redes sociais estão entre os principais fatores por trás da popularização dos cosméticos coreanos. Vídeos, resenhas e recomendações de influenciadores ajudaram a apresentar a K-Beauty a consumidores de diferentes países.
Ao mesmo tempo, esse tipo de conteúdo pode estimular compras motivadas apenas pela tendência. Marília afirma que tem recebido pacientes que adquiriram cosméticos depois de ver recomendações na internet.
“É cada vez mais comum receber pacientes que compraram cosméticos apenas porque viram um vídeo ou uma indicação na internet. Antes de adquirir qualquer produto, especialmente os importados, o ideal é procurar um dermatologista”, explica.
Para a médica, a chamada “pele coreana” também não surgiu a partir de um produto específico. Segundo ela, o conceito está ligado a uma cultura de cuidados que prioriza proteção solar, hidratação e prevenção desde cedo.
Por isso, reproduzir uma rotina apresentada nas redes sociais não significa necessariamente que os mesmos produtos sejam adequados para outra pessoa.
Procedência dos produtos também merece atenção
Além de considerar o tipo de pele, outro cuidado envolve a origem dos cosméticos. Muitos produtos coreanos são adquiridos por meio de compras internacionais, o que pode dificultar a verificação da procedência.
Segundo Marília, existe o risco de o consumidor adquirir itens falsificados ou que não atendam às exigências sanitárias brasileiras.
“Além de verificar a procedência, é importante comprar de fornecedores confiáveis. Os cosméticos importados vendidos no Brasil devem seguir as normas da Anvisa”, alerta a médica.
A dermatologista acrescenta que produtos de origem desconhecida podem conter ingredientes diferentes dos informados na embalagem, estar contaminados ou provocar reações adversas importantes.
Dessa forma, a popularidade de determinado produto nas redes sociais não deve ser o único critério utilizado na hora da compra. A origem e as informações disponíveis na embalagem também precisam ser consideradas.
Produtos coreanos podem fazer parte da rotina
A adesão à K-Beauty não significa que seja necessário substituir todos os produtos utilizados no skincare. De acordo com Marília, os cosméticos coreanos podem ser incorporados à rotina e associados a dermocosméticos tradicionais.
A combinação, no entanto, deve ser feita de forma personalizada. Isso significa considerar as necessidades de cada pele antes de acrescentar novos produtos ou ativos à rotina.
A tendência, portanto, pode ser incorporada aos cuidados diários sem que o consumidor precise seguir todas as etapas de uma rotina popular nas redes sociais.
Mais do que acompanhar a febre dos cosméticos coreanos, a escolha deve levar em conta a finalidade de cada produto, as características da pele e a procedência do item.
Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!

































