O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixou de ser tratado pela campanha do presidente Lula (PT) apenas como um problema jurídico. Internamente, o episódio passou a ser acompanhado como uma variável eleitoral capaz de influenciar a disputa pela Presidência. A preocupação aumentou depois da divulgação, nesta semana, de novos trechos de documentos e mensagens da investigação da Polícia Federal.
Essa leitura explica a reação aos vazamentos de quarta 19 e quinta-feira 20. Para o PT, a divulgação sucessiva de mensagens e documentos sigilosos está criando uma narrativa sobre Lulinha em velocidade muito maior do que a investigação oficial consegue produzir respostas.
Integrantes do PT avaliam que a sequência de informações divulgadas de forma fragmentada tem efeito político maior sobre o governo do que sobre a oposição. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, levou essa reclamação a Lula em reunião no Palácio da Alvorada na quarta-feira 19. O presidente concordou com a necessidade de investigar a origem dos vazamentos.
Há, porém, uma segunda preocupação dentro do próprio campo governista. Não adianta apenas atribuir todo o desgaste aos vazamentos se as perguntas sobre a relação de Lulinha com Roberta Luchsinger continuarem sem respostas convincentes.
É por isso que Lula tem insistido que o filho preste esclarecimentos. O presidente passou a defender simultaneamente a investigação dos vazamentos e um depoimento de Lulinha à PF. A posição é que uma coisa não elimina a outra. O filho deve responder às autoridades, mas as informações protegidas por sigilo também não deveriam ser divulgadas seletivamente.
O foco da preocupação
Cada novo vazamento reabre o assunto, impede que a campanha estabeleça uma pauta própria e oferece à oposição material para transformar uma investigação ainda em andamento em tema permanente da eleição. A oposição já começou a fazer isso no Congresso, com o pedido de CPMI apresentado por Carlos Viana (PSD-MG).
O PT, ao mesmo tempo, tenta trabalhar com uma informação que considera relevante para sua defesa. As apurações não apontaram até agora a concretização de um negócio entre o grupo investigado e o governo. A PGR afirmou que a representação da PF não identificou a conclusão de negócio entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o poder público. As tratativas envolvendo canabidiol também não resultaram em contratação pelo Ministério da Saúde.
Essa será uma das linhas de argumentação para a campanha: separar a existência de contatos, mensagens e suspeitas da comprovação de que Lulinha tenha efetivamente conseguido contratos ou desviado dinheiro público. A defesa sustenta que não há irregularidade e atribui as investigações a interesses políticos.
O contraponto é que a PF investiga justamente se houve uma atuação informal para abrir portas no governo. Em um dos documentos revelados, os investigadores apontam suspeita de uma estrutura de atuação conjunta entre Lulinha, Roberta e outros personagens para tratar de interesses privados. A defesa contesta as conclusões e questiona a própria integridade do material que vem sendo divulgado.
O dilema da campanha
O caso cria, assim, um dilema para Lula. Quanto mais o presidente denuncia vazamentos seletivos, maior é a necessidade de deixar claro que a reclamação não significa tentativa de interromper a investigação. Quanto mais defende que o filho preste esclarecimentos, mais abre espaço para que as perguntas sobre Lulinha continuem no centro da discussão pública.
O próprio Lula tem adotado essa combinação. O presidente afirmou que não pretende usar a PF para proteger o filho, nem perseguir adversários, e que quem tiver cometido irregularidade deverá responder por ela. Ao mesmo tempo, pediu investigação sobre os vazamentos.
A avaliação mais sensível, portanto, não é simplesmente se Lulinha será ou não responsabilizado ao final dos inquéritos. É quanto tempo o caso permanecerá associado ao nome de Lula e se conseguirá alterar a percepção de eleitores que ainda não decidiram o voto.
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Créditos do autor: Vinícius Nunes
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação


































