Foto: Bruno Concha/ Secom PMS
Texto: Priscila Machado / Secom PMS
Benilza dos Santos, de 58 anos, atua como auxiliar de Serviços Gerais no Núcleo de Ações Articuladas para População em Situação de Rua (Nuar), no Comércio, e esbanja alegria no ambiente de trabalho. “Eu sou a melhor no que faço. Pode perguntar. Não tem outra”, brinca ao ser questionada sobre a profissão. Sempre bem arrumada e maquiada, ela preserva o sorriso no rosto, mantém a casa organizada e adora uma confraternização.
A nova fase de vida, no entanto, marca a superação de muitas dificuldades enfrentadas ao longo dos anos. E, quando relembra essa trajetória, as lágrimas tomam conta do rosto.
“É muita coisa. Eu comecei a trabalhar com 7 anos de idade. Subia na cadeira para lavar pratos e, se eu quebrasse algum, eu apanhava. Eu sei o que já sofri. Eu morava com os meus pais, mas engravidei muito cedo, aos 15 anos, e a minha mãe me colocou para fora. Fiquei um tempo com a minha avó, um tempo nas ruas, voltei para a casa da minha mãe, mas ela tornou a me mandar embora. Eu fiquei mais ou menos dez anos na rua. Já sofri importunação sexual, já fui usuária de drogas, mas a minha vida mudou quando eu encontrei essas bênçãos de Deus com o Vida Nova”, conta.
Graças ao programa, Benilza deu início ao processo de alfabetização na Escola Municipal Francisco Mangabeira, em São Caetano, e hoje já consegue assinar o próprio nome e identificar algumas palavras, inclusive o destino exibido no letreiro eletrônico dos ônibus: “Não é fácil estudar nessa idade, mas, quando eu penso que é para a minha melhoria e continuidade no programa, eu vou”.
Mãe de quatro filhos, um deles já falecido e os outros três com as vidas estruturadas, Benilza hoje mora em uma casa mobiliada, tem emprego formal e acesso à renda.
“Graças a Deus, eu tenho minha casinha arrumadinha, minha mesa, minha geladeira, minhas coisas, tudo com a ajuda do programa. Eu fui na loja com a equipe da assistência social, escolhi o meu sofá, minha mesa, meu rack, ventilador, liquidificador, cama. Então, não é só emprego, o programa nos deixa amparados. A minha coordenadora é uma mãe para mim. Toda a equipe é maravilhosa. Você não tem ideia da alegria que o programa me deu. Eu só tenho a agradecer.”
Ações integradas – Visando reduzir as desigualdades sociais e o número de pessoas em situação de rua e em situação de vulnerabilidade social em Salvador, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), lançou o programa Vida Nova, em janeiro de 2024. Trata-se de um pacote com diversas ações integradas na área da educação, moradia, acolhimento e empregabilidade, com um investimento de R$ 200 milhões.
Uma das frentes de atuação da iniciativa é justamente o Vida Nova Empregabilidade, que, desde outubro de 2025, tornou-se política pública do município por meio da Lei nº 9.874/2025. Inicialmente, foram disponibilizadas 50 vagas de emprego para atuação em equipamentos, órgãos e setores da Sempre, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), Restaurantes Populares, Academias Salvador, Núcleo de Ações Articuladas para População em Situação de Rua (Nuar), órgão gestor da secretaria e Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
O encaminhamento dos participantes ocorre por meio dos serviços que acompanham pessoas em situação de vulnerabilidade.
Após a experiência de atuação nos órgãos e equipamentos da Sempre, os beneficiários do Vida Nova Empregabilidade são encaminhados para vagas da iniciativa privada, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), por meio do Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm). As vagas abertas passam a ser disponibilizadas para novos participantes.
As pessoas jurídicas que contratam beneficiários egressos do programa recebem incentivo financeiro de até 10% do salário-base mensal do trabalhador, de acordo com o limite orçamentário previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para essa finalidade.
O último Censo das Pessoas em Situação de Rua, realizado pela Sempre, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e o Projeto Axé, e divulgado em janeiro de 2024, contabilizou 5,3 mil pessoas em situação de rua na capital baiana. O estudo serviu de base para a criação do Vida Nova, maior programa de assistência social já lançado pelo município.
Para o secretário de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer, Júnior Magalhães, cada contratação representa um passo importante na reconstrução da vida dos participantes.
“É muito gratificante acompanhar as transformações que o Vida Nova Empregabilidade já está promovendo na vida das pessoas atendidas pela nossa secretaria. Mesmo sendo um projeto-piloto, os resultados mostram que estamos no caminho certo. Hoje, vimos assistidos conquistando um emprego formal, com carteira assinada, todos os direitos trabalhistas garantidos, plano de saúde, férias, licença-maternidade e atuando lado a lado com servidores e colaboradores terceirizados em um ambiente de respeito e igualdade de direitos e deveres. Isso representa muito mais que uma oportunidade de trabalho. Representa o resgate da autoestima, da dignidade e da perspectiva de um futuro melhor.”
Você gostou desse conteúdo? Compartilhe!



































