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O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, defendeu uma discussão sobre a própria existência das torcidas organizadas após os episódios de violência registrados antes do clássico entre Bahia e Vitória, no domingo (23), em Salvador.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (24), um dia após os confrontos que deixaram dois jovens mortos em diferentes pontos da capital baiana. Werner classificou os episódios como atos de “selvageria” e “covardia” e afirmou que o debate precisa envolver autoridades públicas, clubes e instituições ligadas ao futebol.

“Está na hora de repensar a existência desses grupos que se dizem torcedor organizado”, afirmou o secretário.

Werner cobra revisão das torcidas organizadas

Ao comentar os acontecimentos, o titular da Segurança Pública afirmou que a discussão não deve ficar restrita às forças policiais. Segundo ele, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Federação Bahiana de Futebol, clubes e demais integrantes do sistema esportivo e de Justiça precisam avaliar medidas para impedir que grupos ligados ao futebol continuem envolvidos em episódios de violência.

A manifestação ocorre em meio à pressão por respostas depois dos confrontos registrados horas antes do Ba-Vi, disputado no Barradão. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, seis pessoas foram presas em flagrante em uma ocorrência relacionada à morte de José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, torcedor do Bahia.

Dois jovens morreram antes do clássico

José Alexandre Souza Borges foi agredido na região da Avenida 29 de Março, em Salvador. De acordo com a Polícia Militar, a ocorrência envolveu integrantes de uma torcida organizada e a vítima foi socorrida, mas morreu após ser internada.

Um segundo jovem, Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, também morreu no domingo, após ser baleado no bairro de Castelo Branco. A Polícia Civil confirmou a morte, mas informou que, inicialmente, não havia elementos suficientes para estabelecer relação entre o homicídio e os confrontos entre torcidas organizadas. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Os episódios também foram acompanhados de outros registros de violência, incluindo depredação de estabelecimento comercial, ataques e confrontos em diferentes pontos da cidade.

Seis suspeitos foram presos

Durante as diligências realizadas após a agressão que matou José Alexandre, policiais abordaram um grupo nas proximidades da Avenida 29 de Março. Segundo a PM, seis homens foram encontrados com facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais.

Os suspeitos foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Conforme informações divulgadas sobre o caso, eles foram autuados por crimes que incluem homicídio qualificado, tentativa de homicídio, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto.

Debate sobre futuro das organizadas ganha força

A declaração de Werner amplia a discussão sobre as medidas de segurança adotadas em dias de grandes partidas. O secretário defende que a análise envolva não apenas punições individuais, mas também uma avaliação sobre o funcionamento e a atuação das torcidas organizadas.

O Bahia e a Federação Bahiana de Futebol também repudiaram os episódios de violência e defenderam a investigação e a responsabilização dos envolvidos. A entidade esportiva afirmou que atos criminosos não podem ser confundidos com a prática esportiva e reforçou que a rivalidade deve permanecer dentro de campo.

Para Werner, a prioridade deve ser impedir que a rivalidade entre torcedores volte a resultar em mortes, agressões e depredações. A discussão sobre a permanência das torcidas organizadas, agora defendida publicamente pelo secretário, deverá envolver diferentes setores responsáveis pela segurança e pela organização do futebol na Bahia.

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