CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Candidatura do senador enfrenta rejeição elevada, resistência do Centrão e desconfiança do mercado

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República tem provocado mais dúvidas do que adesões no campo da direita. Apesar de anunciado como o escolhido de Jair Bolsonaro para representá-lo na disputa contra Lula (PT), o chamado “Zero Um” enfrenta resistência crescente entre partidos, empresários, lideranças religiosas e até aliados históricos do bolsonarismo.

Nas últimas semanas, Flávio intensificou uma maratona de reuniões com caciques do Centrão, representantes do mercado financeiro, empresários e influenciadores digitais, além de visitas a templos religiosos. O esforço, porém, não resultou em compromissos sólidos. O sentimento predominante, nos bastidores, é de cautela e ceticismo quanto à viabilidade eleitoral do senador.

Rejeição elevada e teto eleitoral

Embora apareça competitivo em simulações de segundo turno, Flávio carrega um dos maiores índices de rejeição entre os possíveis candidatos. Avaliações internas indicam que mais da metade do eleitorado afirma não votar nele em hipótese alguma, patamar semelhante ao do próprio Jair Bolsonaro e superior ao de outros nomes da direita.

O problema central, segundo analistas políticos, não é apenas a rejeição inicial, mas a dificuldade de romper o muro do bolsonarismo. Há dúvidas se Flávio conseguiria atrair eleitores de centro e moderados, considerados decisivos para vencer uma eleição presidencial.

Passivo político e desgaste familiar

Pesam contra o senador episódios que continuam a assombrar sua trajetória, como as suspeitas envolvendo rachadinha quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, a compra de um imóvel de alto valor em Brasília e as relações com personagens ligados à milícia carioca. Além disso, o desgaste da marca Bolsonaro, após anos de polarização extrema, é visto como um obstáculo adicional.

No próprio campo conservador, cresce a avaliação de que o eleitor está cansado da repetição do embate Lula x Bolsonaro, o que torna a aposta em um herdeiro direto do bolsonarismo ainda mais arriscada.

Centrão resiste e cobra moderação

Partidos estratégicos como PP, PSD, União Brasil e Republicanos seguem distantes da candidatura. Lideranças do Centrão avaliam que Flávio precisaria migrar para um discurso mais moderado e apresentar um projeto claro de país para conquistar apoio institucional.

A insistência em acenos ao bolsonarismo raiz, com críticas ao Supremo Tribunal Federal, ataques às eleições de 2022 e elogios a modelos autoritários de segurança pública, reforça a percepção de que o senador não pretende se deslocar ao centro, o que limita suas alianças.

Tarcísio vira referência

Enquanto Flávio patina, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), segue como o nome mais desejado por empresários, agronegócio e mercado financeiro. Com menor rejeição e trânsito entre diferentes partidos, ele é visto como capaz de unir uma ampla coalizão e enfrentar Lula com mais competitividade.

Mesmo declarando apoio protocolar a Flávio, Tarcísio evita se engajar publicamente na campanha do senador, alimentando especulações sobre uma eventual candidatura própria ou composição alternativa.

Direita busca plano B

Diante da fragilidade da candidatura do Zero Um, setores da direita e do Centrão já discutem abertamente planos alternativos. Além de Tarcísio, surgem como opções o governador Ratinho Junior (PSD), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e até nomes fora da política tradicional.

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