A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros provocou reações nas Comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Os presidentes dos dois colegiados defenderam a preservação das negociações entre os países, mas apresentaram avaliações distintas sobre a condução do governo brasileiro diante da crise comercial. As novas tarifas, oficializadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), passam a valer em 22 de julho e foram adotadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), classificou o desfecho das negociações como uma “grave derrota diplomática e comercial” para o Brasil. Segundo o parlamentar, informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas indicam que o fracasso das tratativas teria ocorrido em razão da postura adotada pelo governo brasileiro durante o processo de negociação.
Na avaliação do deputado, o governo federal teria priorizado interesses políticos e eleitorais em detrimento de uma negociação técnica voltada à defesa da economia brasileira. As declarações foram feitas após o anúncio oficial das novas tarifas pelo governo dos Estados Unidos.
Senado defende negociação e cautela
No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o colegiado acompanhou as negociações desde o início e trabalhou para manter canais de interlocução com o Congresso norte-americano.
Em nota, o senador reconheceu que o Brasil possui instrumentos legais para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos, entre eles a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. No entanto, ressaltou que uma eventual reação deve ser baseada em critérios técnicos e considerar os impactos econômicos sobre empresas, empregos e investimentos.
Para Trad, a negociação continua sendo o caminho mais eficiente para preservar a relação comercial entre os dois países e minimizar prejuízos à economia brasileira.
Governo rebate críticas dos Estados Unidos
Ao longo da quinta-feira, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a contestar as justificativas apresentadas por Washington para a imposição das tarifas. O Palácio do Planalto afirmou que o Brasil participou de todas as etapas das negociações e negou ter abandonado as tratativas com o governo norte-americano.
A reação ocorreu após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarar que o governo brasileiro não negociou “de boa-fé” e atribuir ao presidente Lula a responsabilidade pelo impasse comercial. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as acusações como injustificadas e reiterou que o Brasil manteve disposição para o diálogo durante todo o processo.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que não existe justificativa para a aplicação da tarifa adicional de 25% e destacou que o governo continuará defendendo a soberania nacional, o sistema de pagamentos Pix e os produtores brasileiros. O presidente também reiterou que o Brasil seguirá buscando uma solução negociada para o conflito comercial.
Tarifa começa a valer em 22 de julho
O tarifaço foi anunciado pelo USTR após a conclusão de uma investigação comercial iniciada em 2025. A sobretaxa de 25% será aplicada de forma adicional às tarifas já existentes. Assim, um produto brasileiro que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a recolher 30% para ingressar no mercado norte-americano.
Embora itens como café, carne bovina e alguns produtos estratégicos tenham sido incluídos na lista de exceções, diversos segmentos da indústria brasileira poderão ser afetados. As autoridades norte-americanas também informaram que novas medidas poderão ser avaliadas caso o Brasil adote retaliações comerciais.
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