Durante uma discussão, Germán Andrés Naranjo Maldini chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que era um problema para ele o funcionário ser gay

Reprodução/XReprodução/X

A defesa do chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na última sexta-feira (15), após proferir comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de voo da Latam, afirmou que ele não tem noção do que houve.

Segundo o advogado Carlos Kauffmann, Germán faz tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos e tem sido internado por essas questões, e que, por força dos medicamentos que toma, ele não sabe o que houve.

A defesa também diz que ele está arrependido, “extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial ao tripulante Bruno”. O advogado alega ainda que Germán precisa de tratamento e que peticionou à Justiça Federal para trazer os dados sobre o tratamento e sua condição mental, ainda que esteja preso.

Em depoimento dado por Germán aos advogados, ele afirma que “ama sem diferenças” e que ficou “chocado” com suas palavras no vídeo. Ele também diz que perdeu seu irmão faz algum tempo e que tinha bebido demais. O chileno segue argumentando que as palavras não refletem o que ele acredita e pediu desculpas para quem machucou.

“Bruno, provavelmente você está bravo demais para me perdoar, mas espero ter a chance de me desculpar pessoalmente com você. De novo: não era eu. Minha mente estava em um estado alterado”, diz o texto.

Entenda

O chileno foi preso após fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de voo da Latam. Durante uma discussão, ele chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que era um problema para ele o funcionário ser gay.

O caso ocorreu no último dia 10 de maio, em um voo para Frankfurt, na Alemanha, com escala em Santiago, no Chile. A discussão teria começado porque o homem tentou abrir a porta da aeronave durante o voo.

Segundo a Polícia Federal, ele foi preso por injúria racial e homofóbica aos tripulantes do voo. “Após a comunicação formal das vítimas à Polícia Federal, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil”, disse a corporação.

Em nota, a Latam Airlines diz que repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta. “A companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A Latam esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência.”

Ofensas

Um vídeo publicado no X mostra o chileno discutindo com os funcionários da companhia aérea e dizendo que um deles é “gay”. O funcionário, então, pergunta qual o problema de ser gay.

O chileno responde: “É um problema para mim ser gay”. O comissário de bordo rebate, questionando se também é um problema ele ser negro. “A pele negra, o odor dos negros”, responde o chileno, em tom negativo e de desprezo. Nesse momento, duas comissárias pedem para que o homem retorne ao seu assento, sob pena de ele ser retirado do voo.

O homem ironiza o pedido e volta a ofender o comissário. “Você é negro, mono (palavra em espanhol para macaco)”, diz. Em seguida, repete a palavra e imita sons do animal.

Uma lei sancionada em janeiro de 2023 no Brasil equiparou o crime de injúria racial – quando alguém é ofendido em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional – ao de racismo. A pena é de dois a cinco anos de prisão.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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