Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência, apagou publicações antigas em que criticava o Bolsa Família, associava o programa à troca de votos e insinuava que o PT mantinha a população na pobreza para preservar apoio eleitoral.
As mensagens, publicadas entre 2010 e 2014, foram recuperadas a partir de um arquivo das postagens do senador no X e passaram a ser exploradas nas redes sociais por aliados do presidente Lula (PT), com quem ele disputa o segundo turno.
A exclusão das postagens ocorre em meio à polêmica aberta com as declarações de Daniella Marques, coordenadora da campanha de Flávio.
Durante entrevista à CBN Bahia na segunda-feira 19, a economista defendeu ampliar para dois anos o período de transição durante o qual beneficiários que conseguem emprego formal ou abrem um negócio podem continuar recebendo o auxílio. A regra de proteção do Bolsa Família prevê atualmente o pagamento de 50% do benefício por até 12 meses para famílias que ingressaram no programa a partir de junho de 2025 e passaram a ter renda acima do limite de entrada.
Só foi possível notar que Flávio havia excluído os posts porque, em junho deste ano, o jornal O Estado de São Paulo fez o download de todas as publicações do filho de Jair Bolsonaro no X. A planilha contém o texto, a data e o horário em que cada post foi feito, assim como os links para as postagens originais na plataforma.
Na ocasião, o material serviu de base para uma reportagem que mostrou como o candidato mudou de posicionamento em relação ao Bolsa Família nos últimos anos.
O vereador paulista Nabil Bonduki (PT-SP) deu destaque ao “sumiço” das publicações e reproduziu parte deles em seu próprio perfil, em post que já conta mais de 700 mil visualizações até a noite desta terça-feira.
Até o momento, a campanha do PL não informou os motivos que levaram à exclusão das postagens.
- Reprodução/X
Em novembro de 2011, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio chamou de “bolsa-farelo” o programa Renda Melhor, criado pelo governo fluminense para complementar a renda de famílias que já recebiam o Bolsa Família. Ele votou contra a proposta, que previa pagamentos adicionais de até 300 reais por mês, e classificou a iniciativa como uma medida de “caráter clientelista eleitoral”.
Em outra publicação, afirmou ter apresentado emendas para limitar a dois anos o período de recebimento do benefício. “Se houvesse o limite de tempo p/ pessoa receber o ‘bolsa-farelo’ poderia até ser favorável…”, escreveu.
As críticas não se restringiram ao programa estadual. Em uma publicação de março de 2010, Flávio afirmou: “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa”.
Em abril daquele ano, escreveu: “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”. Em outra mensagem, ao comentar a aprovação de um reajuste do benefício após um acordo entre governo e oposição, resumiu a medida como “financiamento público de campanha do PT”.
Em junho de 2013, o então deputado voltou a associar o programa à estratégia eleitoral do partido. “O PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”, escreveu.
Um ano depois, também questionou a forma de cálculo do desemprego no País ao afirmar que milhões de pessoas que recebiam Bolsa Família ou seguro-desemprego não procuravam trabalho e, por isso, seriam consideradas empregadas pelo PT. Pouco tempo depois, publicou ainda uma mensagem que ironizava os recursos destinados a beneficiários do programa.
As publicações antigas contrastam com o discurso adotado por Flávio nos últimos anos. Em 2019, já durante o governo do pai, o senador passou a publicar mensagens favoráveis ao programa, incluindo manifestações sobre o pagamento do 13º aos beneficiários.
Em junho passado, Flávio defendeu ampliar o período em que famílias podem continuar recebendo o auxílio após conseguir emprego formal ou abrir um negócio. Na ocasião, negou ter mudado de posição e afirmou que o Bolsa Família é um direito conquistado pela população. Também disse que o governo Bolsonaro havia triplicado o valor pago às famílias e defendeu medidas para estimular a autonomia financeira dos beneficiários.
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Créditos do autor: Wendal Carmo
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação


































