O debate foi marcado por ataques pessoais e acusações mútuas, com espaço limitado para o detalhamento de propostas. A cobertura da Band destacou as declarações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre segurança pública e saúde, enquanto veículos como UOL e Brasil de Fato registraram questionamentos que o candidato não respondeu diretamente. 

Segurança pública: mais prisões e combate às facções

Flávio defendeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Também prometeu retomar áreas dominadas por facções criminosas, endurecer as penas, ampliar a estrutura penitenciária e criar mais de 500 mil vagas no sistema prisional.

O candidato afirmou que líderes de organizações criminosas poderão permanecer presos por até 80 anos. Na área de proteção a crianças e adolescentes, defendeu a criação de um cadastro nacional de pedófilos e a castração química de abusadores sexuais. 

Saúde: proposta de levar padrão Einstein ao SUS

Na saúde, Flávio prometeu ampliar a telemedicina e implantar um prontuário eletrônico unificado para integrar informações de pacientes atendidos nas redes municipal, estadual e federal. A proposta, segundo ele, permitiria agilizar consultas e direcionar pacientes para unidades com atendimento disponível.

O candidato também anunciou a intenção de convidar Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo. Flávio resumiu a proposta como a intenção de levar o “padrão Einstein” ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o debate, Lula (PT) questionou se a iniciativa poderia representar uma tentativa de privatizar o sistema público. 

Fim da escala 6×1 e poder de compra

Outro tema foi o fim da escala de trabalho 6×1. Após ter criticado a discussão da proposta durante a campanha, Flávio afirmou que mudou de posição depois de ouvir os trabalhadores e declarou apoio à medida.

O candidato, porém, voltou a defender maior flexibilidade nas relações de trabalho, com negociações entre empregadores e empregados. Ele relacionou o tema ao seu chamado “Plano da Prosperidade”, que promete ampliar o poder de compra, melhorar a segurança e permitir que os brasileiros aproveitem os dias de folga com mais tranquilidade.

Perguntas sobre economia e patrimônio ficaram em aberto

O confronto também teve cobranças sobre temas como o plano de corte de R$ 200 bilhões no orçamento, a compra de uma casa em Brasília avaliada em R$ 10 milhões e os recursos solicitados para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio foi ainda questionado sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual, sua atuação como advogado de um policial acusado pela morte de uma criança e projetos apresentados durante sua trajetória política.

Um levantamento publicado pelo Brasil de Fato apontou que, entre 21 perguntas dirigidas ao candidato durante o debate, ele respondeu diretamente ao ponto central de cinco. Em outras, respondeu parcialmente ou desviou o foco. O dado se refere à avaliação do veículo sobre o conteúdo da transmissão. 

O debate da Band foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos no segundo turno e teve como marca a troca de acusações, além da apresentação de propostas para segurança, saúde e relações de trabalho. A próxima etapa da campanha segue concentrada na disputa por votos antes da votação de 25 de outubro. 

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