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A alimentação na infância e na adolescência exerce um papel importante no crescimento e no desenvolvimento cognitivo e neurológico. Além disso, contribui para a formação de hábitos que podem acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Nessas fases, marcadas por intensas transformações físicas, uma alimentação equilibrada fornece nutrientes essenciais para a formação de músculos, ossos, órgãos e tecidos.

A nutróloga pediátrica Jéssica Fraga, professora do curso de Medicina da Afya Guanambi, explica que as necessidades nutricionais aumentam durante essas etapas. Isso ocorre porque o organismo cresce e se desenvolve rapidamente. Por esse motivo, a alimentação precisa oferecer nutrientes variados em quantidades adequadas às necessidades de cada fase da vida.

“Uma alimentação equilibrada fornece os substratos necessários para a formação de músculos, ossos, órgãos e tecidos, além de participar diretamente do desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso. Nutrientes como ferro, zinco, iodo, ácidos graxos essenciais, vitaminas e proteínas desempenham papéis importantes na formação cerebral, na aprendizagem, na memória e na atenção”, explica.

Mais do que fornecer calorias, uma alimentação equilibrada deve priorizar a qualidade, a variedade e o equilíbrio dos alimentos. Também precisa respeitar as necessidades individuais durante cada etapa do desenvolvimento.

Assim, os hábitos alimentares construídos na infância e na adolescência podem acompanhar o indivíduo por muitos anos e influenciar suas escolhas na vida adulta.

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Nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento

Durante a infância e a adolescência, alguns nutrientes merecem atenção especial. O ferro, por exemplo, participa da formação da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Quando o organismo não recebe ferro suficiente, a pessoa pode desenvolver anemia. Além disso, a deficiência desse nutriente pode prejudicar a atenção, a aprendizagem e a cognição.

O cálcio e a vitamina D também desempenham funções importantes. Juntos, contribuem para a formação e a mineralização dos ossos, especialmente durante o estirão de crescimento da puberdade.

Já o zinco participa do crescimento, da resposta imunológica e de diferentes processos metabólicos. As proteínas, por sua vez, fornecem aminoácidos necessários à formação e à renovação dos tecidos do organismo.

Embora todos os nutrientes sejam importantes, as necessidades variam conforme a fase da vida e as condições de cada criança ou adolescente. Por isso, uma avaliação nutricional individualizada ajuda a identificar demandas específicas e possíveis deficiências.

Esse acompanhamento merece atenção especial quando a criança apresenta crescimento inadequado, seletividade alimentar acentuada, dietas restritivas ou doenças crônicas. Da mesma forma, outras condições que aumentem o risco de deficiências nutricionais também justificam uma avaliação profissional.

Família influencia a formação dos hábitos alimentares

A construção de uma relação saudável com a comida começa em casa. Afinal, crianças e adolescentes observam o comportamento dos adultos e podem reproduzir as escolhas alimentares que fazem parte da rotina familiar.

Nesse contexto, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e oferecer variedade no cardápio são medidas importantes. Também é recomendado evitar que produtos ultraprocessados façam parte da alimentação cotidiana.

Refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos recheados e salgadinhos estão entre os produtos cujo consumo deve ser reduzido. Essas recomendações seguem as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. O documento orienta a escolha, a preparação e o consumo dos alimentos e incentiva uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.

“Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, oferecer variedade no cardápio e evitar que produtos ultraprocessados façam parte da rotina são alguns dos cuidados importantes. Refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos recheados e salgadinhos, por exemplo, devem ter o consumo reduzido”, alerta.

Além da escolha dos alimentos, a rotina das refeições também merece atenção. Estabelecer horários, respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar o uso da comida como recompensa ou punição são cuidados que ajudam a desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação.

Sempre que possível, a família deve realizar as refeições sem telas e aproveitar esses momentos para fortalecer a convivência. Outra estratégia consiste em envolver as crianças na escolha e no preparo dos alimentos, de acordo com a idade. Dessa maneira, elas podem desenvolver maior interesse por diferentes opções alimentares.

Para orientar essas práticas, o Ministério da Saúde disponibiliza o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos. A publicação reúne recomendações para a alimentação infantil e aborda práticas que favorecem o crescimento e o desenvolvimento nessa fase.

Adolescência exige atenção à alimentação e à rotina

Na adolescência, a alimentação continua importante para o desenvolvimento físico e cognitivo. Entretanto, a busca por autonomia, a influência dos amigos e o contato com diferentes padrões alimentares podem modificar as escolhas dos jovens.

Por isso, o acompanhamento dos hábitos alimentares deve considerar as necessidades individuais e as mudanças próprias dessa etapa. O objetivo é favorecer escolhas equilibradas sem desconsiderar as preferências e a autonomia dos adolescentes.

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Além disso, a alimentação integra um conjunto de cuidados com a saúde. Dormir adequadamente, praticar atividade física e cuidar da saúde emocional também contribuem para o bem-estar durante o crescimento. Da mesma forma, um ambiente familiar acolhedor pode favorecer a construção de hábitos saudáveis.

Investir nesses cuidados desde cedo ajuda a estabelecer uma rotina mais equilibrada. Para isso, a participação da família e a atenção às necessidades de cada fase são fundamentais.

“Investir em uma alimentação adequada durante a infância e a adolescência é uma forma de prevenção. Não estamos apenas alimentando uma criança para que ela cresça, estamos contribuindo para determinar a saúde que irá acompanhá-la na vida adulta”, conclui a professora da Afya Guanambi.

 

 

 

 

 

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