Rouquidão persistente, alteração na voz, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir, dor de garganta prolongada, sangramentos na boca ou no nariz e nódulos no pescoço são sintomas que merecem atenção. Embora muitas pessoas associem esses sinais a problemas comuns, como gripes, infecções ou aftas, eles podem indicar câncer de cabeça e pescoço quando persistem por mais de 15 a 20 dias.
Durante o Julho Verde, campanha mundial de conscientização sobre a doença, especialistas alertam para a importância de reconhecer os primeiros sintomas e procurar atendimento médico sem demora. Além disso, a iniciativa busca ampliar o acesso à informação, incentivar a prevenção e reduzir o número de diagnósticos tardios, que ainda representam a maioria dos casos registrados no Brasil.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 42.150 novos casos de câncer de cabeça e pescoço em 2026. Na Bahia, a previsão é de aproximadamente 2.750 novos diagnósticos. Nesse contexto, os especialistas reforçam que reconhecer os sinais da doença pode aumentar significativamente as chances de cura.
De acordo com o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas, qualquer sintoma persistente precisa de avaliação médica.
“Ao notar um ou mais desses sintomas, de forma persistente, o indivíduo precisa buscar ajuda médica para fazer uma investigação imediata. Não significa que a pessoa tenha um câncer ou outra doença grave, mas a presença de sintomas deve ser cuidadosamente avaliada.”
Sintomas persistentes exigem investigação
Em primeiro lugar, é importante observar quanto tempo os sintomas permanecem. Quando alterações como rouquidão, dor de garganta, feridas na boca, dificuldade para engolir ou nódulos no pescoço ultrapassam duas semanas, a recomendação é procurar atendimento médico ou odontológico.
Além desses sinais, sangramentos pela boca ou pelo nariz, perda de peso sem causa aparente e aumento dos gânglios linfáticos também podem indicar a necessidade de investigação. No entanto, muitas pessoas acreditam que essas alterações desaparecerão espontaneamente e acabam adiando a consulta.
Por isso, os especialistas orientam que ninguém ignore sintomas persistentes. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as possibilidades de identificar a doença nas fases iniciais e iniciar rapidamente o tratamento.
Diagnóstico precoce faz diferença no tratamento
O câncer de cabeça e pescoço continua entre os tumores com maior índice de diagnóstico tardio no país. Segundo dados do INCA, cerca de 80% dos casos chegam aos serviços de saúde em estágios avançados. Como consequência, o tratamento costuma ser mais complexo e pode comprometer funções importantes, como fala, respiração e alimentação.
Segundo o oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas, esse cenário ocorre porque muitos pacientes confundem os primeiros sintomas com doenças benignas.
“Infelizmente, muitos sintomas, como dor de garganta, rouquidão e feridas na boca, costumam ser confundidos com problemas benignos, como resfriados, infecções virais e aftas, e, muitas vezes, negligenciados, levando ao diagnóstico tardio de neoplasias.”
Além disso, reconhecer rapidamente os sinais permite que a equipe médica realize exames e defina o tratamento antes da progressão da doença. Dessa maneira, aumentam as possibilidades de sucesso terapêutico e de preservação da qualidade de vida.
A oncologista Larissa Moura destaca que identificar o câncer precocemente pode elevar significativamente as chances de cura.
“A doença pode ter 90% de possibilidade de cura quando detectada e tratada precocemente, por isso é fundamental dar atenção aos sintomas persistentes. A detecção precoce e o tratamento adequado salvam vidas.”
Quando os médicos identificam o tumor nas fases iniciais, o paciente costuma responder melhor ao tratamento, enfrentar procedimentos menos agressivos e recuperar suas atividades com mais rapidez.
Câncer pode atingir diferentes regiões
O câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tipos de tumores que surgem nas vias aéreas e digestivas superiores. Entre as regiões mais afetadas estão a boca, incluindo língua, gengiva e céu da boca, a faringe, a laringe, a cavidade nasal, os seios da face e a glândula tireoide.
Nas mulheres, o câncer de tireoide aparece com maior frequência. Já entre os homens, predominam os tumores de boca, laringe e faringe, principalmente devido à maior exposição aos principais fatores de risco.
Principais fatores de risco podem ser evitados
Grande parte dos casos de câncer de cabeça e pescoço está relacionada a fatores de risco que podem ser prevenidos ou modificados. Por isso, adotar hábitos saudáveis representa uma das formas mais eficazes de reduzir as chances de desenvolver a doença.
Entre os principais fatores de risco estão:
- tabagismo;
- consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- infecção pelo HPV;
- má higiene bucal;
- alimentação inadequada;
- predisposição genética;
- traumas crônicos provocados por próteses dentárias mal adaptadas;
- exposição excessiva ao sol sem proteção labial.
O cigarro continua sendo o principal fator associado ao surgimento desses tumores. Segundo os especialistas, fumantes apresentam cerca de cinco vezes mais risco de desenvolver a doença quando comparados às pessoas que nunca fumaram.
Além disso, a combinação entre tabagismo e consumo frequente de bebidas alcoólicas potencializa ainda mais esse risco, que pode aumentar em até dez vezes. Por esse motivo, abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool figuram entre as principais recomendações para prevenção.
Outro fator que tem chamado a atenção dos especialistas é o aumento dos casos relacionados ao Papilomavírus Humano (HPV). O sexo oral sem proteção pode transmitir o vírus, que está diretamente associado ao desenvolvimento de tumores nas amígdalas e na orofaringe.
Segundo Eduardo Moraes, campanhas como o Julho Verde desempenham papel fundamental na conscientização da população e ajudam a combater a desinformação.
“Campanhas como o Julho Verde são essenciais para combater a desinformação, responsável por esse cenário de diagnóstico tardio de uma doença que, em grande parte dos casos, poderia ser evitada, pois possui fatores de risco evitáveis ou modificáveis.”
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Embora nem todos os casos possam ser evitados, especialistas afirmam que diversas medidas reduzem significativamente o risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço.
Entre as principais recomendações estão:
- não fumar;
- evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- manter uma boa higiene bucal;
- consultar regularmente o dentista;
- utilizar preservativo durante as relações sexuais, inclusive no sexo oral;
- proteger os lábios com filtro solar durante a exposição ao sol;
- manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes;
- procurar atendimento médico sempre que surgirem sintomas persistentes.
Além dessas medidas, a vacinação contra o HPV representa uma importante estratégia de prevenção. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Dessa forma, a imunização reduz o risco de infecções que favorecem o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer relacionados ao vírus.
Da mesma maneira, manter consultas periódicas com médicos e dentistas contribui para identificar alterações ainda nas fases iniciais, aumentando as possibilidades de tratamento e cura.
Informação e diagnóstico precoce salvam vidas
O câncer de cabeça e pescoço apresenta elevadas chances de cura quando os médicos identificam a doença precocemente. Por isso, alterações persistentes na voz, feridas que não cicatrizam, dificuldade para engolir, sangramentos ou nódulos no pescoço nunca devem ser ignorados.
Mais do que uma campanha de conscientização, o Julho Verde incentiva a população a conhecer os fatores de risco, reconhecer os primeiros sintomas e procurar atendimento especializado diante de qualquer sinal persistente. Assim, o diagnóstico acontece mais cedo, o tratamento pode começar rapidamente e as chances de cura aumentam de forma significativa.
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