A Justiça da Colômbia determinou que o candidato à Presidência Abelardo de la Espriella não poderá mais utilizar a camisa da seleção colombiana em atividades de campanha eleitoral. A decisão, que entrou em vigor imediatamente nesta quinta-feira (4), estabelece que o político está proibido de exibir o uniforme, suas cores ou qualquer símbolo associado à equipe nacional em eventos públicos, redes sociais, entrevistas ou materiais de divulgação eleitoral.
A medida foi assinada pela juíza Aura Luz Forero após uma ação movida pelo cidadão Wilman Ramiro Bocanegra Calderón, que alegou sentir-se discriminado e estigmatizado pela associação do símbolo esportivo a uma candidatura específica.
Segundo a magistrada, a utilização da camisa da seleção em atos eleitorais compromete a neutralidade dos símbolos nacionais e cria uma identificação indevida entre a equipe esportiva e determinado projeto político.
No entendimento da Justiça colombiana, a seleção nacional representa todos os cidadãos, independentemente de posição ideológica ou preferência partidária.
A decisão destaca que o uso recorrente da camisa em campanhas eleitorais pode transmitir a ideia de que um símbolo coletivo pertence a um grupo político específico, prejudicando sua função de representação nacional.
O pedido apresentado à Justiça também argumentou que a utilização do uniforme poderia contribuir para a estigmatização de cidadãos identificados com correntes políticas diferentes das defendidas pelo candidato.
Estratégia eleitoral
Abelardo de la Espriella passou a utilizar a camisa da seleção colombiana com maior intensidade durante a reta final do primeiro turno das eleições presidenciais.
Após conquistar a liderança na votação realizada no último domingo, com 43,74% dos votos válidos, o candidato ampliou a estratégia e incentivou apoiadores a comparecerem às urnas utilizando o uniforme da seleção.
O adversário no segundo turno será o senador Iván Cepeda, aliado do presidente colombiano Gustavo Petro. A nova votação está marcada para 21 de junho.
A utilização da camisa da seleção como elemento de mobilização eleitoral provocou reações de setores da esquerda colombiana, que acusaram a campanha de tentar associar um símbolo nacional a uma única corrente política.
Debate lembra no Brasil
A controvérsia gerou comparações com o cenário político brasileiro, onde a camisa da seleção brasileira passou a ser utilizada com frequência em manifestações políticas desde a década passada.
Na Colômbia, entretanto, a Justiça adotou posição mais restritiva. A Federação Colombiana de Futebol também se manifestou pedindo que campanhas eleitorais evitassem utilizar símbolos ligados à seleção para atrair eleitores.
No Brasil, discussões semelhantes chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas não resultaram em proibições ao uso da camisa da seleção por candidatos ou apoiadores durante campanhas eleitorais.
Nova polêmica envolve mulheres
Além da decisão relacionada ao uniforme da seleção, Abelardo de la Espriella também enfrentou questionamentos judiciais por declarações feitas durante entrevista a um canal no YouTube.
A juíza Xinia Navarro determinou que o candidato apresentasse retratação pública após comentários considerados ofensivos por uma jornalista que participava do programa.
Na decisão, a magistrada entendeu que as declarações reforçavam estereótipos de gênero ao sugerir que mulheres poderiam ser influenciadas politicamente por aspectos físicos de candidatos.
Após a determinação judicial, o presidenciável divulgou pedido de desculpas público, afirmando que não teve intenção de ofender a comunicadora.
Disputa presidencial acirrada
A campanha presidencial colombiana entra agora em sua fase decisiva, marcada por forte polarização política, disputas judiciais e intenso debate sobre os limites entre símbolos nacionais e propaganda eleitoral.
A decisão da Justiça sobre o uso da camisa da seleção adiciona um novo capítulo ao processo eleitoral e pode influenciar a estratégia visual das campanhas até a realização do segundo turno.
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