A influência do crime organizado sobre as instituições públicas brasileiras tornou-se uma das principais preocupações do eleitorado. Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana mostra que 48,3% dos entrevistados acreditam que organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho passaram a priorizar a corrupção de agentes públicos e a infiltração no sistema político como estratégia de expansão de poder.
O levantamento indica que, na percepção de parcela significativa da população, as facções deixaram de concentrar esforços apenas em atividades como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, passando a buscar influência sobre estruturas institucionais e políticas.
Maioria defende asfixia financeira das facções
A pesquisa também mostra forte apoio a medidas voltadas para enfraquecer financeiramente as organizações criminosas. Segundo o levantamento, 74,5% dos entrevistados defendem o bloqueio de bens, o rastreamento de recursos ilícitos e o combate à lavagem de dinheiro como principal estratégia para reduzir o poder das facções.
Outras medidas citadas pelos entrevistados incluem maior controle das fronteiras, investimentos em educação e inclusão social para reduzir o recrutamento de jovens pelo crime, além do endurecimento das ações policiais e do isolamento de lideranças criminosas no sistema prisional.
Debate sobre terrorismo
O estudo foi realizado em meio à repercussão da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que entra em vigor nesta semana.
De acordo com a AtlasIntel, 55,9% dos entrevistados defendem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) adote posicionamento semelhante no Brasil. Outros 40,8% discordam da proposta.
O tema tem provocado divergências entre Brasília e Washington. Enquanto o governo brasileiro argumenta que a classificação pode gerar questionamentos sobre a soberania nacional, autoridades norte-americanas defendem o enquadramento como instrumento adicional de combate ao crime organizado transnacional.
Avaliação negativa da segurança pública
A pesquisa também mediu a percepção da população sobre o combate ao crime organizado. Para 47,6% dos entrevistados, o desempenho do governo federal na área de segurança pública é considerado “péssimo”.
Quando questionados sobre os fatores que contribuíram para o crescimento das facções criminosas, 39,5% apontaram o sistema Judiciário e 36,3% responsabilizaram sucessivos governos federais por falhas ou insuficiência de ações no enfrentamento ao problema.
Segurança terá peso nas eleições
Os números indicam que o tema da segurança pública tende a ocupar posição central no debate eleitoral de 2026. A preocupação com o avanço do crime organizado, especialmente diante da percepção de possível infiltração em estruturas políticas e administrativas, reforça a pressão sobre governos, Congresso Nacional e sistema de Justiça por medidas mais efetivas.
A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.273 brasileiros entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. O levantamento possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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