O Senado dos Estados Unidos bloqueou o avanço da proposta de Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027, considerada uma das principais prioridades do presidente Donald Trump (Partido Republicano). A iniciativa, que prevê um orçamento de US$ 1,15 trilhão, equivalente a cerca de R$ 5,85 trilhões, não atingiu o número mínimo de votos exigido para dar continuidade à tramitação.
Na votação realizada na terça-feira (14), o projeto recebeu 50 votos favoráveis e 46 contrários, mas eram necessários 60 votos para que o texto avançasse. Todos os senadores democratas presentes votaram contra a proposta, impondo um revés à estratégia do governo republicano de ampliar os investimentos na área de defesa.
Democratas cobram limites para atuação militar
A principal resistência da oposição está relacionada à atuação do governo norte-americano no conflito envolvendo o Irã.
Os democratas defendem que o Congresso estabeleça limites à possibilidade de o presidente ampliar operações militares sem autorização legislativa. Segundo o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer (Partido Democrata, Nova York), o Congresso não pode permitir uma ampliação do conflito sem um plano claro e respaldo parlamentar.
A bancada democrata também critica o aumento dos investimentos militares proposto pela Casa Branca sem uma expansão proporcional dos recursos destinados a programas sociais e políticas internas.
Proposta amplia gastos militares
O texto faz parte da tradicional legislação anual que estabelece as diretrizes da política de defesa dos Estados Unidos.
Entre as medidas previstas estão:
, reajuste de 3,6% nos salários dos militares;
, investimentos na indústria naval;
, ampliação do desenvolvimento de drones e novas tecnologias militares;
, definição das prioridades estratégicas das Forças Armadas para 2027.
Embora estabeleça as políticas de defesa, a NDAA não autoriza diretamente a liberação dos recursos orçamentários.
Guerra contra o Irã amplia impasse
O debate ocorre em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Segundo parlamentares democratas, o projeto não pode ser utilizado como uma autorização indireta para ampliar as operações militares iniciadas após o reinício dos bombardeios norte-americanos.
A Casa Branca também solicitou ao Congresso uma dotação adicional de US$ 67 bilhões destinada aos custos das operações relacionadas ao conflito.
Republicanos articulam nova votação
Após o resultado, o líder da maioria no Senado, John Thune (Partido Republicano, Dakota do Sul), alterou seu voto de favorável para contrário por uma questão regimental, procedimento que preserva a possibilidade de apresentar novamente a proposta para votação em data futura.
Quatro senadores não participaram da sessão.
Legislação enfrenta resistência inédita
A Lei de Autorização de Defesa Nacional costuma ser aprovada com apoio de democratas e republicanos há décadas. Especialistas avaliam que o atual impasse representa uma das maiores dificuldades enfrentadas pela proposta nos últimos anos.
Além das barreiras no Senado, o texto também enfrenta resistência na Câmara dos Representantes, onde integrantes da ala conservadora do Partido Republicano já haviam impedido o avanço da matéria no fim de junho.
Até o momento, não há previsão para uma nova votação da proposta.
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