Ministro André Mendonça proibiu senador de manter contato com investigados; irmão dele terá tornozeleira eletrônica e restrição para deixar o país
O ministro André Mendonça determinou medidas cautelares contra o presidente nacional do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), e o irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, pela Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta 5ª feira (7.mai.2026). Leia a íntegra da decisão (PDF – 298 kB).
As medidas foram autorizadas depois de representação da PF com parecer favorável da PGR (Procuradoria Geral da República). A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o grupo ligado a Daniel Vorcaro.
No caso de Ciro Nogueira, Mendonça determinou:
- proibição de manter contato, por qualquer meio, inclusive telefônico ou telemático, com testemunhas ou demais investigados da Operação Compliance Zero.
Segundo a decisão, a PF apontou risco de interferência nas investigações em razão da “capacidade de articulação política e institucional” do senador. Os investigadores afirmaram que a proximidade dele com outros investigados poderia permitir:
- alinhamento de versões;
- combinação de estratégias defensivas;
- circulação de informações sensíveis;
- influência sobre o curso da investigação.
Mendonça afirmou que as medidas cautelares seriam suficientes neste momento e considerou desnecessária a prisão cautelar do senador.
Em relação ao irmão de Ciro, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, o STF determinou:
- proibição de manter contato com investigados e testemunhas;
- proibição de deixar o município onde reside;
- proibição de sair do país;
- entrega do passaporte à Polícia Federal em até 48 horas;
- monitoração eletrônica com tornozeleira.
Segundo a investigação, Raimundo administrava formalmente a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada pela PF como peça central das operações financeiras suspeitas ligadas ao núcleo familiar do senador. A decisão afirma que a empresa foi usada para adquirir uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões pagando apenas R$ 1 milhão. A operação teria sido estruturada por Felipe Cançado Vorcaro, apontado pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional do grupo investigado. Felipe foi preso durante a operação nesta 5ª feira (7.mai)
Mendonça considerou que Raimundo teria domínio sobre documentos societários, registros contábeis e fluxos financeiros relevantes para a investigação, o que justificaria as restrições impostas pelo STF.
O ministro também autorizou a suspensão das atividades de empresas apontadas pela PF como instrumentos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial:
- CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.;
- BRGD S.A.;
- Green Investimentos S.A.;
- Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
Segundo a decisão, os elementos reunidos indicam “desvio estrutural de finalidade” das empresas e risco de continuidade da lavagem de capitais.
O QUE DIZ CIRO NOGUEIRA
A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que repudia “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação do congressista e declarou que ele não teve participação em atividades ilícitas ou nos fatos investigados pela Polícia Federal. Os advogados também disseram que o senador está à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça e criticaram as medidas cautelares autorizadas no caso.
Segundo a defesa, as decisões foram tomadas com base em “mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, o que, na avaliação do senador, exigiria “reflexão e controle severo de legal pelas cortes superiores.
Leia a íntegra:
“A defesa do senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas cortes superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”
OUTRO LADO
O Poder360 procurou a defesa de Daniel Vorcaro por meio de aplicativo de mensagens para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O Poder360 também tenta contato com a defesa de Felipe Cançado Vorcaro, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
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