O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respeita chefes de Estado que demonstram altivez, a exemplo do presidente Lula (PT), enquanto maltrata quem considera inferior. A avaliação é de Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington entre 2004 e 2006, em entrevista a CartaCapital.
Trump e Lula se reuniram por cerca de três horas em Washington, na quinta-feira 7. Após a agenda, o republicano publicou uma simpática mensagem nas redes sociais, na qual definiu o petista como “um presidente muito dinâmico”. A foto oficial, com os presidentes sorrindo, também saiu a contento para os interesses brasileiros.
Há um contraste notável, por exemplo, com o tratamento dispensado por Trump ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em fevereiro de 2025. O norte-americano impôs uma humilhação pública ao convidado em pleno Salão Oval da Casa Branca.
“Trump menospreza quem vai a ele a pedir algo e ele sente ser ‘inferior’”, resume Abdenur. “Lula foi — até a visita — o único chefe de governo a contestar Trump. E ele respeita quem se mostra firme e altivo, como é Lula, que nunca abaixou a cabeça para ninguém.”
Trata-se, de acordo com o ex-embaixador, de uma vitória, devido ao progresso no “relançamento” das relações Brasil-EUA. De quebra, assinala Abdenur, Lula altera o panorama da relação entre o bolsonarismo e o governo norte-americano.
“Eles [os bolsonaristas] não contam mais com acesso privilegiado a altos escalões do trumpismo”, acrescenta. Por fim, Roberto Abdenur vê um trunfo pouco lembrado na viagem a Washington: “Lula deixou para trás o velho ranço antiamericano do PT”.
Permanece, contudo, um foco de preocupação para o experiente diplomata: o secretário de Estado, Marco Rubio. “Ele vê o Lula como um perigoso esquerdista. Com ele ainda podemos ter problemas.”
Roberto Abdenur tem uma extensa carreira diplomática: chegou ao Itamaraty em 1963 e se afastou em 2007. Testemunhou da Guerra Fria à invasão do Iraque, passando pelo fim da União Soviética.
Como representante da gestão Lula (PT) na capital norte-americana, teve a complexa tarefa de reduzir a resistência da Casa Branca ao primeiro governo de esquerda do Brasil pós-redemocratização. O resultado foi positivo: o petista, antes visto apenas como aliado de Fidel Castro, construiu uma relação harmoniosa com George W. Bush.
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Créditos do autor: Leonardo Miazzo
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