O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elevou o tom contra os Estados Unidos nesta segunda-feira (10), ao afirmar que o país “não aceitará interferência de nenhuma potência estrangeira”. A declaração foi feita durante um evento do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), em Caracas, e ocorre em meio a um novo aumento das tensões com Washington.

“O que o Congresso dos Estados Unidos discute, o que eles aprovam ou não — isso não nos importa. Ninguém vai tirar nossa liberdade, ninguém vai tirar nossa paz e nossa independência”, afirmou Maduro, em discurso transmitido pela televisão estatal.

As declarações foram uma resposta direta à recente votação no Senado norte-americano, que rejeitou, por 51 votos a 49, uma proposta que impediria o presidente Donald Trump de ordenar ataques militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A decisão, alinhada às linhas partidárias, manteve aberta a possibilidade de ações unilaterais da Casa Branca.

Segundo o Pentágono, os Estados Unidos realizaram desde setembro mais de uma dezena de ataques a embarcações nas proximidades da costa venezuelana e em áreas do Pacífico. O governo americano afirma que os alvos estariam ligados ao tráfico de drogas — versão contestada por parlamentares e líderes internacionais, que exigem provas.

Maduro, por sua vez, voltou a acusar Washington de conspirar para derrubar seu governo. “O império norte-americano continua acreditando que pode decidir o destino de outros povos. Mas a Venezuela é livre e seguirá sendo soberana”, disse o líder chavista, sob aplausos de apoiadores.

Fontes ligadas ao governo venezuelano afirmam que Caracas prepara uma série de manifestações e atos públicos em defesa da soberania nacional, em resposta às recentes movimentações militares norte-americanas.

Com o discurso, Maduro busca reforçar o sentimento nacionalista e sustentar sua narrativa de resistência diante da pressão externa, que se intensifica à medida que o governo dos Estados Unidos retoma o tom de confronto contra o regime bolivariano.

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