A proximidade das eleições tem levado políticos de diferentes correntes ideológicas a investir em mudanças na aparência. Emagrecimento, cuidados com os cabelos, atividades físicas, roupas mais informais e até procedimentos estéticos passaram a fazer parte da construção da imagem pública de candidatos que buscam transmitir juventude, saúde e vitalidade.
A estratégia ganhou força em um cenário de intensa exposição nas redes sociais, no qual fotografias e vídeos podem alcançar o eleitor antes mesmo que ele tenha contato com as propostas de um candidato. Especialistas em comunicação política ouvidos pelo jornal O Globo avaliam que a aparência funciona como uma espécie de atalho para a formação da percepção do eleitor.
Entre os nomes que passaram por mudanças está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o levantamento, ele perdeu cerca de 20 quilos nos últimos meses, escureceu os cabelos grisalhos e passou a publicar com mais frequência conteúdos relacionados à prática de exercícios físicos, como corrida e bicicleta.
O presidente Lula da Silva (PT) também passou a explorar com maior frequência a imagem associada à atividade física. Aos 80 anos, o presidente aparece em vídeos e fotografias realizando treinos e atividades esportivas, uma estratégia que, segundo especialistas citados na reportagem, ajuda a reforçar a ideia de disposição e vitalidade.
Flávio Bolsonaro muda estilo e busca aproximação com eleitores
Na oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também modificou elementos da própria apresentação. Segundo a reportagem, ele perdeu cerca de 15 quilos após utilizar canetas emagrecedoras e passou a aparecer menos com os tradicionais óculos de grau.
O vestuário também ganhou espaço na estratégia. Flávio passou a utilizar camisetas com mensagens direcionadas a públicos específicos, como “pai de menina”, “Nordeste é solução” e “orgulho do nosso agro”. A avaliação de especialistas é que as escolhas procuram aproximá-lo de eleitores mais jovens, mulheres e setores da classe média.
Para o professor de marketing político Marcelo Vitorino, a utilização de mensagens relacionadas ao Nordeste também pode representar uma tentativa de diminuir resistências em uma região considerada estratégica para a disputa presidencial.
Caiado e outros candidatos também mudam aparência
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adotou uma transformação mais discreta. De acordo com o levantamento, ele realizou um implante capilar no ano passado, procedimento que chegou a ser divulgado pela clínica responsável pelo tratamento.
Outro nome citado é Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, que passou a apresentar cabelos e barba mais alinhados. Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, também modificou o estilo ao longo dos últimos anos, especialmente depois de assumir a presidência do PL Mulher. A ex-primeira-dama passou a utilizar com maior frequência ternos e camisas em tons neutros.
As mudanças não começaram agora. Durante a eleição municipal de 2024, Pablo Marçal passou por alterações no corte de cabelo e na barba, perdeu peso e passou a utilizar mais ternos e blazers. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também mudou o corte de cabelo e realizou procedimentos estéticos antes e depois da campanha eleitoral.
Imagem se torna ferramenta de campanha
Consultores de imagem ouvidos pelo O Globo afirmam que a procura por serviços relacionados à aparência aumenta em períodos pré-eleitorais. A avaliação é que roupas, cabelo, peso e condicionamento físico deixaram de ser apenas questões pessoais e passaram a integrar a comunicação política.
A consultora Deniza Gurgel afirma que o eleitor pode formar impressões sobre um político a partir da imagem antes mesmo de ouvir seu discurso. Na avaliação dela, a valorização da cultura de bem-estar e da atividade física favorece candidatos que conseguem associar sua aparência a conceitos como saúde, energia e controle da própria rotina.
A consultora de imagem Alexia Teles também aponta que mudanças sutis podem ser mais eficientes do que transformações radicais, especialmente diante da exposição permanente proporcionada pelas redes sociais e pelos vídeos curtos.
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