O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como um “sinal de paz” a libertação de prisioneiros políticos promovida pelo governo interino da Venezuela, liderado pela presidente Delcy Rodríguez. Em mensagem nas redes sociais nesta sexta-feira (9), Trump destacou que a cooperação da nova gestão venezuelana levou ao cancelamento de uma segunda onda de ataques militares planejada contra o país.
A operação militar inicial, realizada no último final de semana, teve como objetivo a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. Segundo o governo venezuelano, cerca de 100 pessoas morreram durante a ação. O anúncio da libertação dos presos políticos foi feito na quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, que pediu que o gesto fosse interpretado globalmente como uma demonstração unilateral de boa vontade do novo governo.
Libertação de opositores de peso
Entre os presos libertados estão a ativista venezuelana com dupla nacionalidade espanhola, Rocío San Miguel, detida desde fevereiro de 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, preso desde o início de 2025. San Miguel foi acusada pelas autoridades venezuelanas de envolvimento em um suposto plano para assassinar Maduro e esteve detida em Helicoide, conhecida por denúncias de tortura e maus-tratos.
O gesto da libertação, segundo Jorge Rodríguez, faz parte de um esforço para buscar a paz e restabelecer canais de diálogo, contando com mediação e apoio internacional, como do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente brasileiro Lula da Silva (PT) e do Catar.
Investimento bilionário
Trump também anunciou que a indústria petrolífera dos EUA investirá pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela, com encontros previstos com executivos do setor na Casa Branca. Apesar da trégua com a Venezuela, o presidente americano reafirmou planos para lançar, em breve, ataques terrestres contra cartéis de drogas, principalmente no México, sem detalhar alvos específicos.
Suspensão da ofensiva militar
O presidente destacou que, em razão da cooperação de Delcy Rodríguez, decidiu suspender a segunda onda de ataques militares contra a Venezuela, que seriam realizadas após a primeira operação. No entanto, manteve o posicionamento de navios americanos próximos à costa venezuelana por razões de segurança.
A movimentação dos EUA na Venezuela ocorre em um contexto de crise política, econômica e social profunda, com tensões entre o governo chavista e a oposição, e repercussões internacionais que envolvem diversos atores políticos e países. A recente libertação dos presos políticos pode sinalizar uma possível reabertura de diálogo, ainda que as condições permaneçam delicadas e o futuro incerto.
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