O início de setembro marca uma nova mobilização em torno da saúde de crianças e adolescentes. Neste ano, o Setembro Dourado reforça a importância de reconhecer os sinais do câncer infantojuvenil e buscar avaliação médica diante de alterações persistentes.
A campanha de 2026 tem como tema “O Câncer Infantojuvenil Tem Desafios, Mas Também Tem Cura: Fique Atento aos Sinais”, definido pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, a iniciativa pretende ampliar a informação sobre a doença e destacar a importância do diagnóstico em tempo oportuno.
Em paralelo, grupos envolvidos com a mobilização em Niterói adotaram o conceito “Mudar o roteiro está nas nossas mãos”. A proposta utiliza referências do cinema para mostrar que cada criança tem uma história e que a atenção aos primeiros sinais pode contribuir para mudar o percurso da doença.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
O câncer infantojuvenil reúne diferentes tipos de tumores e, por isso, apresenta características próprias. No entanto, um dos principais desafios está justamente na identificação inicial.
Isso acontece porque muitos sinais do câncer em crianças e adolescentes são semelhantes aos de doenças comuns da infância. Assim, sintomas como febre, dores, cansaço ou perda de peso nem sempre indicam um tumor. Ainda assim, quando aparecem de maneira persistente, recorrente ou sem uma causa conhecida, merecem avaliação profissional.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tipos mais frequentes de câncer na infância e na adolescência incluem leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central.
Por isso, o objetivo do Setembro Dourado não é fazer com que pais e responsáveis associem qualquer sintoma ao câncer. Pelo contrário, a campanha busca estimular a atenção e a procura por atendimento quando alguma alteração foge do padrão habitual da criança.
Quais sinais merecem atenção?
Não existe um único sintoma capaz de identificar o câncer em uma criança. Além disso, os sinais podem variar de acordo com o tipo de tumor e a região afetada.
Ainda assim, o INCA reúne sintomas que podem indicar a necessidade de avaliação médica. Entre eles estão:
- Palidez, cansaço ou fraqueza sem explicação;
- Manchas roxas, hematomas ou sangramentos sem causa aparente;
- Febre prolongada ou recorrente sem diagnóstico definido;
- Perda de peso sem explicação;
- Dores persistentes nos ossos ou nas articulações;
- Caroços ou inchaços sem causa aparente;
- Aumento do volume abdominal;
- Dores de cabeça persistentes, principalmente quando acompanhadas de vômitos;
- Alterações nos olhos ou na visão.
Esses sinais, entretanto, não significam necessariamente que a criança tenha câncer. Afinal, eles também podem estar relacionados a diversas condições comuns. Por isso, a orientação é procurar avaliação médica quando houver persistência, recorrência ou alguma mudança que preocupe a família.
Atenção aos sintomas pode fazer diferença
Como os sintomas podem ser pouco específicos, o acompanhamento regular da criança também tem papel importante. Nesse sentido, pais, responsáveis e profissionais de saúde podem contribuir para perceber mudanças no comportamento e no estado geral.
Além disso, a atenção primária pode ajudar na identificação de sinais que precisam ser investigados. O acompanhamento contínuo das famílias favorece o reconhecimento de alterações e, quando necessário, o encaminhamento para avaliação especializada.
Da mesma forma, professores e outros profissionais que convivem diariamente com crianças podem perceber mudanças que não eram habituais, como queda repentina no desempenho escolar, cansaço excessivo ou alterações de comportamento.
Assim, o diagnóstico precoce depende de uma rede de atenção que envolve família, profissionais de saúde e outros espaços de convivência.
Informação ajuda a reduzir atrasos no diagnóstico
Embora o câncer infantojuvenil seja uma doença rara em comparação com os tumores que atingem adultos, ele exige atenção justamente porque os sinais iniciais podem ser confundidos com problemas mais frequentes na infância.
Nesse contexto, informação não significa alarmar as famílias, mas ajudar a reconhecer quando é necessário procurar atendimento.
Por isso, ao perceber uma alteração persistente, a recomendação é conversar com um profissional de saúde. A partir da avaliação clínica, o médico poderá determinar se são necessários exames complementares ou outros encaminhamentos.
Dessa forma, a campanha procura reforçar uma mensagem simples: observar, investigar e encaminhar no momento adequado pode fazer diferença na trajetória do tratamento.
Setembro Dourado amplia mobilização em 2026
Em Niterói, a campanha vem sendo realizada desde 2018 por médicas que atuam na assistência em Oncologia Pediátrica. Desde então, as ações têm buscado ampliar o acesso à informação, estimular o reconhecimento dos sinais e fortalecer a rede de cuidado.
Em 2026, a mobilização ganha uma dimensão ainda maior ao acompanhar o tema definido nacionalmente pelo Ministério da Saúde. Além da conscientização da população, a campanha pretende envolver profissionais de saúde, gestores, instituições e famílias.
O lançamento acontece nesta terça-feira (1º), no Rio de Janeiro. Na ocasião, uma parceria entre o Santuário Cristo Redentor, Oncoped e Oncocipe promove uma missa dedicada às crianças e adolescentes em tratamento, suas famílias e aos profissionais envolvidos no cuidado.
Além disso, o Cristo Redentor será iluminado de dourado, cor associada mundialmente à conscientização sobre o câncer infantojuvenil.
No entanto, mais do que marcar o início das ações, a mobilização busca levar o debate para além do evento. Durante todo o mês, a principal proposta é reforçar que conhecer os sinais e procurar atendimento diante de alterações persistentes pode contribuir para um diagnóstico mais rápido.
Setembro Dourado
O Setembro Dourado é uma campanha de conscientização sobre o câncer infantojuvenil. No Brasil, o Ministério da Saúde inclui o período entre as ações do calendário de saúde voltadas à conscientização sobre a doença.
Ao longo do mês, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre os sinais e sintomas, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer a atenção às crianças e adolescentes.
Para famílias e profissionais de saúde, a principal mensagem é de atenção, e não de medo: diante de sintomas persistentes ou alterações sem explicação, é importante procurar avaliação profissional.
O INCA também disponibiliza materiais educativos específicos sobre os sinais de alerta do câncer na infância e adolescência.
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