O uso do PMMA voltou ao centro dos debates sobre procedimentos estéticos após relatos recentes de complicações graves envolvendo aplicações corporais, principalmente em glúteos, rosto e lábios. Embora o produto ainda tenha indicação médica bastante restrita, especialistas alertam que a banalização do seu uso como solução rápida para remodelamento corporal tem aumentado os riscos à saúde.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, o PMMA não deve ser tratado como um procedimento simples ou inofensivo. De acordo com o especialista, a substância pode ser utilizada em situações específicas, desde que aplicada por profissionais habilitados e em pequenas quantidades.
“No entanto, o grande problema é que o PMMA acabou sendo vendido como uma solução rápida, definitiva e aparentemente simples para aumento corporal, principalmente de glúteos, lábios e outras regiões”, explica.
Produto permanente pode causar complicações anos depois
Um dos principais pontos de preocupação, segundo o médico, é o fato de o PMMA ser uma substância permanente. Diferentemente de produtos absorvíveis, ele permanece no organismo indefinidamente, o que pode gerar complicações até muitos anos após a aplicação.
“Quando surge uma complicação, não estamos falando de algo que vai desaparecer naturalmente com o tempo. O produto permanece no corpo e isso torna o tratamento muito mais complexo”, alerta o cirurgião.
Além disso, Dr. Josué destaca que muitas pessoas procuram soluções consideradas definitivas sem compreender completamente os riscos envolvidos.
“Muitas vezes existe uma promessa de resultado rápido, fácil e permanente. Porém, a realidade nem sempre acompanha a segurança necessária para esse tipo de procedimento”, afirma.
Entre as principais complicações associadas ao PMMA estão inflamação crônica, endurecimento dos tecidos, deformidades, dores persistentes, infecções, necrose e migração da substância para outras áreas do corpo. Em casos mais graves, o quadro pode evoluir para hipercalcemia e insuficiência renal.
Outro fator que preocupa os especialistas é que os problemas podem surgir anos após a aplicação.
“O organismo pode tolerar o PMMA durante muito tempo e, depois de uma alteração imunológica, trauma ou infecção, começar a reagir contra aquela substância. Por isso, algumas pessoas acreditam que o procedimento foi bem-sucedido, mas as complicações aparecem muito tempo depois”, explica.
Alternativas mais seguras ganham espaço
Diante desse cenário, técnicas consideradas mais modernas e seguras têm ganhado espaço nos procedimentos de remodelamento corporal. Segundo o especialista, atualmente existem opções mais previsíveis e biologicamente compatíveis com o organismo.
Entre elas estão a prótese de silicone glútea, tecnologias de retração de pele, como Morpheus, BodyTite e Ignite, além de substâncias absorvíveis e bioestimuladores de colágeno.
“O organismo tende a aceitar melhor substâncias absorvíveis. Além disso, hoje existem tecnologias que ajudam na firmeza, retração da pele e melhora da qualidade do tecido sem a necessidade de produtos permanentes”, afirma.
Ainda assim, o médico destaca que o enxerto de gordura continua sendo uma das principais alternativas para aumento glúteo.
“O enxerto de gordura utiliza um material do próprio paciente, o que reduz riscos de reação imunológica e proporciona um comportamento mais natural no organismo. Parte dessa gordura pode ser absorvida, por isso, em alguns casos, fazemos hipercorreção ou sessões complementares para alcançar o resultado ideal”, explica.
Por fim, o especialista reforça que qualquer procedimento corporal deve ser realizado com avaliação individualizada, indicação adequada e acompanhamento de profissionais habilitados.
“Quando falamos de substâncias permanentes, não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de saúde”, conclui.
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