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Demorar excessivamente para comer, mastigar por muito tempo, cortar os alimentos em pedaços pequenos e precisar beber água a cada garfada parecem hábitos comuns da infância. No entanto, quando esses comportamentos se repetem com frequência, eles podem indicar um problema de saúde pouco conhecido: a esofagite eosinofílica.

A doença inflamatória crônica afeta o esôfago e costuma atingir principalmente crianças com histórico de alergias, asma, rinite ou dermatite atópica. Como os sintomas frequentemente se confundem com seletividade alimentar ou “birra” infantil, muitos pacientes levam anos até receber o diagnóstico correto.

De acordo com a alergologista, Dra. Leila Borges, a dificuldade alimentar persistente nunca deve ser ignorada pelos responsáveis.

A criança nem sempre consegue explicar o desconforto ao engolir. Então, ela adapta a forma de comer para evitar dor ou engasgos. Muitas vezes, os adultos interpretam isso como manha, quando, na verdade, existe uma inflamação importante no esôfago”, explica.

Imagem: Magnific

Sinais de alerta durante as refeições

Entre os principais sintomas da esofagite eosinofílica estão a mastigação excessiva, recusa de alimentos sólidos, preferência por comidas pastosas, engasgos frequentes e episódios de vômito durante as refeições.

Além disso, algumas crianças passam a evitar determinados alimentos por associarem a alimentação ao desconforto. Segundo a especialista, o problema pode afetar diretamente o crescimento e a nutrição infantil.

Muitos pais acreditam que o filho é apenas ‘ruim para comer’, mas a dificuldade é real. O esôfago fica inflamado por causa do acúmulo de eosinófilos, células do sistema imunológico que provocam dor e sensação de alimento preso”, detalha.

A médica também ressalta que crianças com perfil alérgico precisam de atenção redobrada. Nesses casos, sintomas persistentes devem ser investigados o quanto antes.

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Impactos emocionais e sociais

Além das consequências físicas, a doença também interfere na saúde emocional e na convivência social da criança. O medo de engasgar pode gerar ansiedade durante as refeições e até afastamento de eventos escolares e encontros com amigos.

Muitas famílias vivem momentos de tensão diariamente durante o almoço ou jantar. Isso desgasta a relação da criança com a comida e impacta toda a rotina familiar”, afirma Leila Borges.

Segundo a especialista, o diagnóstico precoce ajuda não apenas a controlar a inflamação, mas também a recuperar a qualidade de vida da criança e da família.

Adultos também podem apresentar a doença

Embora seja mais associada à infância, a esofagite eosinofílica também pode atingir adultos. Nesse grupo, os sintomas mais comuns incluem sensação constante de “bolo” na garganta, necessidade frequente de líquidos para ajudar a engolir e episódios em que o alimento fica preso no esôfago.

Muitos adultos convivem durante anos com adaptações alimentares sem perceber que possuem uma doença inflamatória crônica. Por isso, a investigação médica é fundamental em qualquer idade”, alerta.

Diagnóstico exige endoscopia com biópsia

O diagnóstico definitivo da esofagite eosinofílica depende da realização de endoscopia digestiva alta com biópsias do esôfago.

Segundo a alergologista, em alguns casos o órgão pode parecer normal visualmente, o que torna a biópsia indispensável para identificar a inflamação.

Sem tratamento adequado, a doença pode causar estreitamento do esôfago, aumentando progressivamente a dificuldade para engolir.

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Tratamento melhora qualidade de vida

Atualmente, o tratamento da esofagite eosinofílica permite que pacientes tenham uma rotina saudável e mais confortável. O manejo inclui ajustes alimentares personalizados, medicamentos para controle da inflamação e, em situações específicas, imunobiológicos.

Além disso, o acompanhamento multidisciplinar faz diferença no sucesso terapêutico.

“O tratamento evoluiu bastante nos últimos anos. Hoje conseguimos controlar os sintomas e prevenir complicações com acompanhamento conjunto entre alergologista, gastroenterologista, nutricionista e apoio psicológico”, pontua a médica.

No Dia Mundial da Esofagite Eosinofílica, celebrado em 22 de maio, a especialista reforça a importância da atenção aos sinais persistentes durante a alimentação.

Se a criança demora muito para comer, engasga com frequência, evita determinados alimentos ou depende sempre de líquidos durante as refeições, é importante procurar avaliação especializada. O diagnóstico precoce protege o crescimento, a saúde emocional e evita complicações futuras”, conclui.

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