O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um novo aceno a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e voltou a pedir desculpas pelos desentendimentos recentes. O presidenciável disse, em um vídeo publicado em suas redes sociais nesta quinta-feira 23, que Michelle merece ser “reconhecida e respeitada” pelo sua atuação política e pregou a união da direita.

“Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela [Michelle] fez no PL Mulher, percorreu o País inteiro por uma causa, valorizando e inspirando milhares de mulheres a ingressarem na vida pública”, disse. A ex-primeira-dama deixou o comando do PL Mulher, posição que ocupava desde março de 2023, após expor ter se sentido “desrespeitada” por Flávio em uma ligação.

Para Flávio, o momento pede união para que o tema não seja ainda mais “explorado por opositores”. “O momento é difícil para todo mundo, ninguém é perfeito, eu não sou perfeito. Mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto, como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai”, afirmou.

No vídeo, o presidenciável reiterou o convite para que a ex-primeira-dama participe ativamente de sua campanha. “Vamos evitar qualquer divisão, o momento exige união. Michelle, renovo o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder que é Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

A publicação de Flávio acontece às vésperas da convenção partidária do PL para confirmar a sua candidatura ao Palácio do Planalto. Michelle já havia sinalizado ao comando do partido que não pretende comparecer, reforçando a ruptura com o presidenciável.

O novo aceno acontece após o senador afirmar, durante uma entrevista ao podcast Flow, que não tinha mais contato com a madrasta e minimizou a importância dela na campanha. “Vem a hora que quer, vem se quiser também, porque assim, eu estou dando o meu melhor, eu sei qual caminho que eu tenho que seguir”, disse no último dia 15 de julho.

O conflito público com Michelle Bolsonaro, importante articuladora da extrema-direita com as mulheres, afasta o pré-candidato do PL ainda mais das eleitoras — grupo que representa 52,83% do eleitorado brasileiro. Assim como Jair Bolsonaro (PL) há quatro anos, o senador aparece competitivo entre os homens, mas acumula desvantagem consistente diante do presidente Lula (PT) entre as mulheres.

Em uma pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho, Lula marcou 47% ante 43% de Flávio no segundo turno entre o eleitorado geral. Quando o levantamento é apenas entre mulheres, Lula lidera com uma maior margem: 52% a 37%. A rejeição de Flávio também é maior: 53%, ante 40% da de Lula.

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