CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

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Para uma família que recebe a suspeita de câncer na infância, o caminho até o diagnóstico envolve mais do que a realização de exames. A criança precisa passar por avaliação especializada, investigação clínica e, quando necessário, iniciar o tratamento em uma unidade preparada para atender às necessidades dessa faixa etária.

Em Salvador, o Hospital Martagão Gesteira mantém um serviço dedicado à oncologia pediátrica e recebe pacientes com suspeita de doenças oncológicas. A estrutura reúne atendimento especializado e também conta com o Serviço de Transplante de Medula Óssea, coordenado pela oncopediatra Natália Borges.

O trabalho ganha destaque durante o Setembro Dourado, campanha de conscientização sobre o câncer infantojuvenil. Em 2026, o Ministério da Saúde definiu como tema “O Câncer Infantojuvenil Tem Desafios, Mas Também Tem Cura: Fique Atento aos Sinais”. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a doença e estimular a atenção aos sinais que podem levar à investigação.

No entanto, além da mobilização do mês, a rotina dos serviços especializados mostra um dos principais desafios da assistência: identificar a doença, confirmar o diagnóstico e garantir que a criança tenha acesso ao tratamento adequado.

Martagão mantém atendimento especializado em oncologia pediátrica

O Hospital Martagão Gesteira possui um serviço de oncologia voltado ao atendimento de crianças e adolescentes. De acordo com informações divulgadas pela própria instituição, o setor funciona como uma porta de entrada para pacientes pediátricos com suspeita de doença oncológica.

O hospital informa que recebe aproximadamente 120 novos casos por ano e realiza cerca de mil consultas ambulatoriais mensais na área de oncologia.

A unidade fica no bairro do Tororó, em Salvador, e atende pacientes encaminhados para investigação e acompanhamento especializado. Informações sobre o serviço, localização e canais de contato estão disponíveis na página oficial de oncologia do Martagão Gesteira.

A atuação do hospital também inclui procedimentos de maior complexidade. O Martagão Gesteira informa que foi o primeiro hospital pediátrico da Bahia a realizar transplante de medula óssea pelo SUS, em 2020.

Atualmente, o Serviço de Transplante de Medula Óssea é coordenado por Natália Borges, que também atua como oncopediatra.

Foto: Luan Viana/Divulgação

Da suspeita à investigação

O atendimento de uma criança com suspeita de câncer começa antes da confirmação da doença. O primeiro desafio consiste em identificar quando uma alteração que parece comum precisa de uma investigação mais aprofundada.

Febre, dores, cansaço, perda de peso e mudanças no comportamento podem aparecer em diversas doenças da infância. Por isso, esses sintomas não significam, isoladamente, que exista um tumor.

A dificuldade aumenta porque o câncer infantojuvenil pode apresentar manifestações semelhantes às de problemas comuns. Natália resume o desafio encontrado pelos profissionais:

“O câncer da criança se parece muito com as doenças comuns da infância”, afirma a médica.

Nesse cenário, a duração e a evolução dos sintomas ganham importância. Quando uma alteração persiste, volta com frequência, não apresenta melhora esperada ou aparece acompanhada de outros sinais, o pediatra pode avaliar a necessidade de ampliar a investigação.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) também orienta que alterações persistentes sejam avaliadas por profissionais de saúde. A instituição destaca que o reconhecimento dos sinais e o diagnóstico em fases iniciais podem contribuir para melhores resultados no tratamento.

O olhar de quem acompanha a criança

A família ocupa uma posição importante nesse processo porque conhece os hábitos e o comportamento habitual da criança. Mudanças que parecem pequenas podem chamar atenção quando fogem do padrão.

Entre elas estão dores persistentes nos braços ou nas pernas, aumento do volume abdominal, perda de peso sem explicação, febre prolongada e dores de cabeça que acordam a criança durante a noite.

Alterações na visão, dificuldade para caminhar, irritabilidade, perda de habilidades já adquiridas e mudanças importantes no comportamento também podem indicar a necessidade de avaliação.

A escola pode contribuir nesse processo. Professores e outros profissionais que convivem diariamente com a criança conseguem perceber mudanças como dificuldade repentina para enxergar, alteração na marcha, queda no desempenho ou modificações no comportamento.

Essas observações não substituem uma avaliação médica. Elas, porém, podem ajudar a família a identificar que determinada alteração merece atenção.

Por que o diagnóstico pode demorar?

A semelhança dos sintomas com doenças comuns representa apenas uma parte do problema. O acesso a especialistas e exames também interfere no tempo necessário para confirmar um diagnóstico.

Em algumas situações, a criança passa inicialmente por atendimentos voltados a condições mais frequentes. Quando os sintomas continuam ou surgem novos sinais, a investigação pode avançar para outras possibilidades.

Por isso, a capacitação dos pediatras e de outros profissionais da atenção primária tem papel importante. Reconhecer sinais que fogem do padrão pode facilitar o encaminhamento para um serviço especializado.

Natália também destaca a necessidade de fortalecer o acesso à atenção primária e aos exames necessários para a investigação.

Esse percurso envolve diferentes etapas e profissionais. Família, pediatra, equipe de enfermagem, médicos especialistas e demais profissionais envolvidos no cuidado podem participar de momentos diferentes da assistência.

Diagnóstico precoce muda o caminho do tratamento

Para Natália, identificar a doença mais cedo representa uma das principais possibilidades de melhorar os resultados do tratamento.

A prevenção secundária, que é a detecção precoce, é a única forma de fazer com que a gente tenha uma possível melhoria nas taxas de sobrevida e de cura”, explica.

A detecção precoce busca identificar o tumor em uma fase inicial. Segundo o INCA, investigar sinais e sintomas que levantam suspeita pode aumentar as possibilidades de sucesso do tratamento.

Isso não significa, porém, que toda criança com sintomas persistentes terá câncer. A investigação serve justamente para descobrir a causa da alteração e definir a conduta adequada.

Quanto mais rapidamente uma suspeita chega ao serviço apropriado, menor tende a ser o intervalo até a realização das avaliações necessárias. O objetivo é evitar que sinais persistentes permaneçam sem investigação por longos períodos.

Quais tipos de câncer aparecem na infância?

O câncer infantojuvenil reúne diferentes doenças. Entre os principais tipos estão as leucemias, os tumores do sistema nervoso central, o neuroblastoma, o tumor de Wilms e os tumores ósseos e musculares.

A frequência varia conforme a idade. Entre crianças de 0 a 4 anos, as leucemias aparecem com maior frequência. Entre os tumores sólidos, neuroblastoma e tumor de Wilms estão entre os diagnósticos encontrados nessa faixa etária.

O tumor de Wilms pode aparecer como uma massa ou aumento do volume abdominal. Já o neuroblastoma apresenta manifestações diferentes conforme a região atingida e pode provocar dor ou desconforto abdominal, constipação, dificuldades para urinar ou alterações na marcha.

Os tumores do sistema nervoso central também apresentam sinais variados. Dor de cabeça persistente, vômitos, alterações de coordenação, dificuldades para caminhar, convulsões recentes, fraqueza e regressão do desenvolvimento podem aparecer nesses casos.

Na adolescência, os tumores ósseos ganham maior relevância. Dores persistentes, inchaços e limitações de movimento merecem avaliação quando não apresentam melhora.

O INCA disponibiliza informações específicas sobre os diferentes tipos de câncer infantojuvenil, incluindo manifestações relacionadas a cada tumor.

Câncer infantil tem fatores de risco diferentes

Outro aspecto que diferencia o câncer infantojuvenil dos tumores mais frequentes em adultos envolve os fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Em alguns cânceres que atingem adultos, mudanças de hábitos podem reduzir determinados riscos. Parar de fumar, por exemplo, diminui o risco relacionado ao tabagismo. A vacinação contra o HPV também ajuda a prevenir infecções que podem causar alguns tipos de câncer.

Na infância, entretanto, a situação é diferente. Segundo o INCA, a predisposição genética aparece em uma parcela pequena dos casos e, de maneira geral, não existem evidências claras de fatores ambientais que expliquem a maioria dos cânceres infantojuvenis.

Durante a apuração, Natália também mencionou a exposição à radiação durante a gestação ao falar sobre fatores que podem estar relacionados a alguns tumores. Essa informação precisa ser analisada dentro de cada situação clínica e não deve ser interpretada como orientação para evitar exames necessários durante a gravidez.

Por isso, o foco da assistência não está em responsabilizar a família pela prevenção da doença. A atenção se concentra no acompanhamento da criança, no reconhecimento de alterações e no acesso à investigação quando existe suspeita.

Um atendimento que exige estrutura especializada

O cuidado oncológico infantil envolve necessidades específicas. Além do tratamento do tumor, a equipe precisa considerar a idade, o desenvolvimento, a rotina escolar, o acompanhamento familiar e os impactos físicos e emocionais da doença.

Essa característica exige uma estrutura preparada para atender crianças e adolescentes e acompanhar diferentes etapas do tratamento.

No Martagão Gesteira, a oncologia pediátrica integra essa rede de assistência. O hospital também mantém o Serviço de Transplante de Medula Óssea, área que amplia a capacidade de atendimento a pacientes que precisam desse tipo de procedimento.

A instituição destaca sua atuação na assistência pediátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo procedimentos de alta complexidade.

Para uma criança com suspeita de câncer, portanto, chegar a um serviço especializado representa uma etapa importante. A avaliação permite confirmar ou descartar hipóteses e, quando necessário, direcionar o paciente para o tratamento adequado.

Imagem: Magnific

Setembro Dourado coloca a assistência em evidência

O Setembro Dourado amplia, durante o mês de setembro, a discussão sobre o câncer em crianças e adolescentes. Em 2026, o Ministério da Saúde escolheu uma mensagem que combina dois pontos: os desafios enfrentados pela doença e a importância de ficar atento aos sinais.

A campanha também procura evitar que a falta de informação atrase a procura por atendimento.

Em Niterói, grupos envolvidos com a mobilização utilizam o conceito “Mudar o roteiro está nas nossas mãos”. A proposta faz referência ao cinema para mostrar que cada criança tem uma história e que a atenção aos primeiros sinais pode contribuir para modificar o percurso da doença.

A mobilização na cidade ocorre desde 2018, conduzida por médicas que atuam na assistência em Oncologia Pediátrica. Em 2026, as ações acompanham o tema definido nacionalmente pelo Ministério da Saúde.

O lançamento ocorreu em 1º de setembro, no Rio de Janeiro, com uma parceria entre o Santuário Cristo Redentor, Oncoped e Oncocipe. A programação incluiu uma missa dedicada às crianças e adolescentes em tratamento, suas famílias e os profissionais envolvidos na assistência.

Na ocasião, o Cristo Redentor também recebeu iluminação dourada, cor associada mundialmente à conscientização sobre o câncer infantojuvenil.

Apesar da mobilização concentrada em setembro, o cuidado não termina quando o mês acaba. A identificação de alterações, o acompanhamento pediátrico e o acesso à assistência especializada fazem parte de um processo contínuo.

Informação aproxima a suspeita do diagnóstico

O trabalho de um serviço de oncologia pediátrica começa, muitas vezes, antes mesmo da confirmação do câncer. A suspeita precisa chegar ao lugar certo para que a equipe possa investigar o quadro.

Nesse caminho, a família tem papel importante ao observar mudanças e comunicar o que está acontecendo. O pediatra contribui ao avaliar a evolução dos sintomas e decidir quando é necessário encaminhar o paciente. Já os serviços especializados assumem a investigação e o cuidado de casos que precisam de acompanhamento oncológico.

Por isso, o diagnóstico precoce depende de uma rede que funciona em diferentes pontos. Não se trata apenas de reconhecer um sintoma, mas de garantir que a criança tenha acesso à avaliação adequada quando algo foge do padrão.

No Setembro Dourado, essa rede ganha visibilidade. Em Salvador, o trabalho desenvolvido pelo Martagão Gesteira mostra como a assistência especializada integra esse percurso e reforça a importância de manter atenção à saúde de crianças e adolescentes durante todo o ano.

 

 

 

 

 

 

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