A Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do controlador do BTG Pactual, André Esteves, para prestarem depoimento no inquérito que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.
As oitivas foram determinadas em 3 de agosto e, segundo informações divulgadas pelo Estadão, os três deverão ser ouvidos na condição de testemunhas. A PF também determinou um novo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
A investigação apura suspeitas envolvendo dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, que foram afastados após serem citados na terceira fase da Operação Compliance Zero. Eles são investigados por supostamente terem recebido vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em troca de informações internas e auxílio relacionado à fiscalização da instituição.
Os dois negam irregularidades e qualquer favorecimento indevido.
Depoimento de ex-diretor
A decisão de ouvir Galípolo, Campos Neto e Esteves ocorreu depois que Paulo Sérgio Souza prestou depoimento aos investigadores e mencionou reuniões e episódios relacionados à fiscalização do Banco Master.
Segundo o relato atribuído ao ex-diretor, ele teria discutido com Galípolo a situação financeira da instituição e a necessidade de adoção de medidas diante de problemas relacionados ao recolhimento compulsório.
Paulo Sérgio também afirmou que teria participado de duas reuniões com Galípolo para tratar do assunto. De acordo com o depoimento, em uma delas teria sido discutida uma possível solução envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB).
As declarações ainda fazem parte do material investigativo e deverão ser confrontadas com os depoimentos dos demais envolvidos.
BTG é citado
O depoimento também menciona o BTG Pactual e uma reunião realizada em dezembro de 2024, quando Roberto Campos Neto ainda presidia o Banco Central.
Segundo Paulo Sérgio, o então diretor de Fiscalização Ailton de Aquino teria informado que o BTG havia concluído uma diligência sobre o Banco Master e identificado uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.
Ainda de acordo com o relato, uma apresentação sobre o assunto teria ocorrido em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Campos Neto. O depoente afirmou que, naquela ocasião, o BTG não teria entregue documentação sobre a suposta descoberta.
A investigação deverá esclarecer o conteúdo da reunião, quais informações foram apresentadas e quais providências foram eventualmente adotadas pelas autoridades responsáveis pela fiscalização.
Em abril de 2025, antes da liquidação do Banco Master, André Esteves chegou a se reunir com Gabriel Galípolo para discutir alternativas relacionadas à instituição. Registros publicados pelo Estadão também indicaram que o BTG havia analisado ativos do Master durante as negociações envolvendo o BRB.
Campos Neto
A defesa de Roberto Campos Neto afirmou que o ex-presidente do Banco Central ainda não havia recebido a intimação e questionou o vazamento da informação à imprensa.
Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti disseram que, sem acesso ao documento, não seria possível confirmar a existência, a autenticidade ou o conteúdo do suposto despacho.
O Banco Central e o BTG Pactual, segundo o texto divulgado pelo Estadão, não haviam se manifestado sobre as intimações.
Vorcaro prestou depoimento à PF
O novo conjunto de oitivas ocorre após Daniel Vorcaro prestar depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto. O ex-banqueiro foi ouvido por aproximadamente quatro horas, por videoconferência, no inquérito que apura a atuação de ex-servidores do Banco Central em favor do Banco Master.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele respondeu aos questionamentos dos investigadores e voltou a manifestar disposição para discutir um eventual acordo de colaboração premiada. Segundo a Agência Brasil, a PF havia rejeitado anteriormente duas propostas apresentadas pela defesa.
O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e possíveis irregularidades na relação entre o Banco Master e agentes públicos. A investigação também desencadeou uma disputa institucional no Supremo Tribunal Federal envolvendo decisões sobre o comando da Polícia Federal.
Investigação segue
O inquérito ganhou novos desdobramentos nesta semana. Em 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, em decisão relacionada às investigações do caso Master.
Mas hoje, dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a recondução dos dois aos cargos.
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