CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

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No Setembro Amarelo, a discussão sobre saúde mental também passa pelo cuidado com a autoestima e pela forma como as pessoas percebem o próprio corpo. Entre pessoas negras e mestiças, a hiperpigmentação pós-inflamatória pode representar um desafio adicional, principalmente quando as manchas permanecem por meses ou anos após o desaparecimento da inflamação.

A condição aparece depois de processos inflamatórios ou lesões na pele, como acne, foliculite e traumas. Em fototipos mais altos, a alteração pode apresentar maior frequência e persistência. Embora a hiperpigmentação não seja, isoladamente, responsável por quadros de sofrimento psicológico grave, ela pode interferir na autoestima, na vida social e na percepção da própria imagem.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. A entidade aponta ainda que o suicídio está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Por isso, durante o Setembro Amarelo, a campanha reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional e buscar ajuda.

A relação entre saúde mental e condições dermatológicas, no entanto, precisa ser compreendida de maneira ampla. Diferentes fatores podem contribuir para o sofrimento psíquico, e uma alteração na pele representa apenas um possível elemento dentro desse contexto.

Imagem: Magnific

Hiperpigmentação pode permanecer por anos

A hiperpigmentação pós-inflamatória ocorre quando uma inflamação ou lesão provoca alterações na produção e na distribuição da melanina. Na prática, a região afetada pode permanecer mais escura mesmo depois que a acne, a foliculite ou outro processo inflamatório desaparece.

A condição pode atingir diferentes tons de pele, mas apresenta maior relevância clínica em pessoas com fototipos mais altos. Estudos apontam que a hiperpigmentação pós-inflamatória pode atingir uma parcela significativa de pessoas negras e mestiças após processos inflamatórios.

Além disso, a mancha pode continuar visível por muito mais tempo do que a própria inflamação que a provocou. Esse período prolongado pode aumentar a preocupação com a aparência e fazer com que algumas pessoas busquem tratamentos por conta própria.

O uso inadequado de ácidos, produtos clareadores ou procedimentos agressivos, porém, pode provocar novas inflamações e agravar a pigmentação. Por isso, a avaliação dermatológica é importante para identificar a causa das manchas e definir uma estratégia adequada para cada pele.

O impacto ultrapassa a aparência

O incômodo com manchas não se resume necessariamente à preocupação estética. Pesquisas sobre a qualidade de vida de pessoas com acne e hiperpigmentação apontam que a alteração da pigmentação pode contribuir para impactos emocionais e sociais.

Em um estudo sobre o impacto psicossocial da hiperpigmentação associada à acne, cerca de 60% dos participantes relataram prejuízo significativo em pelo menos uma dimensão relacionada à qualidade de vida. Entre os aspectos observados estavam questões emocionais, sociais e relacionadas à percepção da própria aparência.

Esse impacto pode aparecer de diferentes formas. Evitar fotografias, utilizar filtros constantemente, deixar de participar de encontros ou sentir desconforto em ambientes sociais são comportamentos que merecem atenção quando passam a limitar a rotina.

A preocupação também pode levar algumas pessoas a procurar sucessivos procedimentos para tentar eliminar as manchas. Quando a insatisfação com a aparência se torna persistente e interfere significativamente na vida cotidiana, uma avaliação profissional pode ajudar a identificar se existe sofrimento psicológico associado.

Peles negras e mestiças também enfrentam fatores sociais

A discussão sobre hiperpigmentação em pessoas negras não se limita aos mecanismos biológicos da pele. A percepção da aparência também sofre influência de fatores sociais e culturais.

Durante décadas, padrões de beleza centrados em características eurocêntricas contribuíram para a valorização de determinados tons de pele e características físicas. Nesse contexto, o racismo e o colorismo podem influenciar a forma como pessoas negras e mestiças percebem a própria imagem.

Por isso, o cuidado dermatológico precisa considerar tanto as características biológicas da pele quanto a experiência individual de cada paciente.

A abordagem também deve evitar a ideia de que toda mancha precisa necessariamente ser eliminada. O objetivo do tratamento é cuidar da saúde da pele, controlar a inflamação e, quando indicado, reduzir a pigmentação de maneira segura.

Médica destaca importância do cuidado individualizado

Para a médica baiana Danìelà Hermes, especialista em saúde integral de peles plurais, o atendimento de pessoas negras e mestiças exige atenção aos aspectos físicos e emocionais envolvidos.

“Cuidar de peles negras e mestiças requer compreender a história e a carga emocional que aquela mancha carrega. Um procedimento inadequado ou agressivo pode gerar mais inflamação e piorar o escurecimento. O objetivo da conduta médica é devolver a saúde tecidual, a funcionalidade e a confiança na própria imagem”, destaca.

A especialista reforça, portanto, a necessidade de evitar tratamentos realizados sem acompanhamento. A tentativa de acelerar o desaparecimento das manchas pode provocar irritações e novas inflamações, dificultando ainda mais o controle da pigmentação.

O tratamento depende da causa, do tipo de lesão, do fototipo e das características individuais da pele. Por isso, a escolha de produtos e procedimentos deve ocorrer após avaliação profissional.

Quando procurar ajuda psicológica?

O desconforto com a aparência não significa necessariamente a existência de um transtorno mental. Entretanto, alguns sinais indicam que a questão merece uma atenção maior.

Entre eles estão a tristeza persistente, ansiedade intensa, isolamento social, recusa frequente em sair de casa, preocupação excessiva com determinada característica física e prejuízos no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos.

Em situações nas quais a preocupação com a aparência se torna desproporcional e ocupa grande parte do cotidiano, profissionais de saúde também podem investigar condições como o transtorno dismórfico corporal.

Cuidar da pele e da saúde mental são partes complementares do cuidado integral. O acompanhamento dermatológico pode ajudar no controle da acne e da hiperpigmentação, enquanto o suporte psicológico ou psiquiátrico pode ser necessário quando o sofrimento emocional interfere na qualidade de vida.

Imagem: Magnific

Durante o Setembro Amarelo, a recomendação é não ignorar mudanças importantes no comportamento ou sinais de sofrimento. Pessoas que estejam enfrentando uma crise emocional ou pensamentos relacionados à própria morte devem procurar atendimento profissional ou um serviço de emergência. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.

A campanha também reforça uma mensagem essencial: pedir ajuda não é sinal de fraqueza e o sofrimento emocional merece o mesmo cuidado dedicado à saúde física.

 

 

 

 

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