A dor nas costas pode ter diferentes causas, mas merece atenção quando persiste, piora progressivamente ou surge em pacientes com diagnóstico prévio de câncer de mama. Em alguns casos, o desconforto pode estar relacionado a metástases ósseas. Em outros, pode decorrer de alterações musculares ou dos efeitos do tratamento oncológico. A presença de dor, isoladamente, não confirma câncer ou metástase, mas reconhecer os sinais de alerta ajuda a identificar quando é necessário procurar atendimento médico.
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença está entre os tipos de câncer mais incidentes entre as mulheres brasileiras. Embora nódulos e alterações nas mamas estejam entre os sinais mais conhecidos, outras manifestações também merecem atenção, especialmente quando aparecem em pessoas que já receberam o diagnóstico.
De acordo com o ortopedista especialista em coluna Djalma Amorim Jr., membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), identificar a origem da dor é fundamental para definir a conduta adequada. O desconforto pode ter causas musculares, estar relacionado às alterações provocadas pelo tratamento oncológico ou indicar uma complicação da própria doença, como a metástase óssea, que ocorre quando células cancerígenas se espalham para os ossos
Como diferenciar a dor nas costas?
Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Frontiers in Oncology aborda as metástases ósseas em pacientes com câncer de mama metastático. O material citado estima que essa complicação ocorra em aproximadamente 65% a 75% desse grupo de pacientes. A revisão científica sobre metástases ósseas no câncer de mama discute aspectos relacionados a essa complicação.
Esse percentual se refere a pacientes com câncer de mama metastático e não representa a proporção de todas as mulheres com câncer de mama que desenvolvem metástases ósseas. A distinção é importante para compreender o alcance do dado e evitar interpretações equivocadas sobre o risco individual.
No início, a dor provocada por metástases na coluna pode se confundir com um desconforto muscular decorrente de má postura, esforço físico ou longos períodos na mesma posição. Por isso, observar a intensidade, a duração e a evolução do sintoma ajuda a identificar situações que precisam de avaliação médica.
Segundo Djalma Amorim Jr., a localização e a extensão das lesões influenciam as manifestações clínicas e o comprometimento dos movimentos.
“A intensidade pode ser um indicativo importante. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a dor pode comprometer os movimentos e irradiar para outras regiões, como quadris, braços ou pescoço. Quando as metástases atingem as vértebras, podem enfraquecer a estrutura óssea e aumentar o risco de fraturas e de compressão de estruturas nervosas”, explica o ortopedista.
Sinais de alerta que exigem atendimento médico
Em situações mais graves, a compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas pode provocar formigamento, perda de força e alterações na sensibilidade. Essas manifestações podem indicar comprometimento de estruturas responsáveis pela transmissão dos sinais nervosos.
A dificuldade repentina para caminhar ou a perda do controle da urina ou das fezes, especialmente quando acompanhadas de dor na coluna, exige atendimento médico imediato. Esses sinais podem indicar uma complicação neurológica que precisa de avaliação urgente.
Apesar desses riscos, a presença de dor nas costas não significa, necessariamente, que uma mulher tenha câncer de mama ou metástase. O sintoma é comum e pode estar relacionado a diversas condições. O histórico clínico, as características da dor e a presença de outros sintomas ajudam os profissionais de saúde a avaliar a necessidade de investigação.
Djalma Amorim Jr. destaca a importância de observar mudanças no padrão da dor, principalmente entre pacientes que já receberam o diagnóstico da doença.
“O sintoma é comum e pode estar relacionado a diversas condições. Entretanto, diante de um diagnóstico prévio de câncer, o surgimento de uma dor nova, persistente ou progressiva deve ser comunicado à equipe médica, que poderá indicar exames de imagem e outras avaliações, conforme o caso”, esclarece.
Dessa forma, uma dor nas costas isolada não permite concluir que exista câncer ou metástase. Quando o sintoma surge em uma paciente oncológica, a comunicação com a equipe responsável pelo acompanhamento ajuda a determinar se são necessários exames ou outras medidas.
Tratamento do câncer de mama também pode provocar dores
Além das manifestações relacionadas à progressão da doença, pacientes podem apresentar dores musculoesqueléticas durante ou após o tratamento do câncer de mama. Algumas terapias utilizadas no combate à doença podem provocar desconfortos articulares e musculares, com intensidade e duração variáveis conforme a medicação e a resposta de cada pessoa.
A quimioterapia, a hormonioterapia e determinadas terapias-alvo estão entre os tratamentos que podem causar esses efeitos. Por isso, a avaliação dos sintomas precisa considerar tanto a evolução da doença quanto os medicamentos utilizados e as condições clínicas da paciente.
Djalma Amorim Jr. explica que as manifestações podem incluir dor nas articulações, rigidez e desconforto muscular.
“Quimioterapia, hormonioterapia e algumas terapias-alvo podem provocar dores articulares, rigidez e desconforto muscular, com intensidade e duração variáveis de acordo com a medicação e a resposta de cada paciente. Com o enfraquecimento da estrutura óssea, aumenta a vulnerabilidade a fraturas, inclusive na coluna vertebral”, acrescenta Djalma Amorim Jr.
O enfraquecimento dos ossos merece atenção porque pode aumentar a vulnerabilidade a fraturas, inclusive nas vértebras. Nesse contexto, diferenciar os efeitos adversos do tratamento de possíveis complicações relacionadas à doença é importante para orientar a assistência.
Pacientes com câncer de mama devem comunicar à equipe médica o surgimento de dores novas, persistentes ou progressivas. A partir da avaliação clínica, os profissionais poderão determinar se há necessidade de exames de imagem ou de outras investigações, conforme cada caso.
Prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama
Embora não seja possível evitar todos os casos de câncer de mama, alguns hábitos podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença. Entre as principais recomendações estão:
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas e vegetais;
- Praticar atividades físicas regularmente;
- Manter o peso adequado;
- Evitar o tabagismo e limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Amamentar, quando possível, pelo período recomendado.
Segundo dados do Ministério da Saúde citados no material original, a combinação de alimentação saudável e atividade física pode reduzir em até 28% o risco de câncer de mama. A mesma fonte menciona um levantamento realizado por instituições brasileiras e norte-americanas, em parceria com o Ministério, que estimou que 12% das mortes pela doença no Brasil poderiam ser evitadas com a prática regular de atividades físicas.
Os dois percentuais precisam ser interpretados conforme a população estudada e a metodologia utilizada. A referência específica do levantamento que sustenta a estimativa de 12% ainda precisa ser confirmada antes da publicação. O mesmo cuidado se aplica à identificação do estudo que fundamenta o percentual de 28%, para que os dados sejam apresentados com atribuição precisa.
As orientações gerais de prevenção podem ser consultadas nas informações do Ministério da Saúde sobre o câncer de mama. A adoção de hábitos saudáveis integra as estratégias de redução de riscos, mas não elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença.
Prevenção não substitui a investigação de sintomas
A prevenção também precisa ser diferenciada do diagnóstico precoce. Enquanto hábitos saudáveis podem contribuir para reduzir o risco, o reconhecimento de alterações suspeitas e a avaliação por profissionais de saúde ajudam a investigar possíveis sinais da doença.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reúne informações sobre fatores de risco, sinais e sintomas e outros aspectos relacionados ao câncer de mama. A investigação de alterações suspeitas deve considerar a avaliação clínica e os exames indicados pelos profissionais de saúde.
A dor nas costas não deve ser interpretada automaticamente como sinal de câncer de mama. Entretanto, a persistência ou a piora progressiva do desconforto merece atenção, principalmente entre pessoas com diagnóstico prévio da doença. Quando a dor vem acompanhada de perda de força, dificuldade repentina para caminhar ou alterações no controle da urina e das fezes, a procura por atendimento médico imediato é fundamental.
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