Presidente critica paralisia da organização multilateral de comércio e pede novo modelo que inclua interesses do Sul Global

Na abertura da Hannover Messe, neste domingo (20.abr.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a refundação da OMC (Organização Mundial do Comércio) e falou que o protecionismo é uma resposta “falaciosa” para crises econômicas e sociais.

“A paralisia da OMC e os impasses de sua última conferência apontam para a necessidade de refundar a organização”, afirmou Lula. Para ele, um novo paradigma de desenvolvimento exige um multilateralismo justo, que incorpore de forma efetiva os interesses do Sul Global.

A 14ª Conferência Ministerial da OMC, realizada em Yaoundé, nos Camarões, terminou em 30 de março sem acordos significativos. Os impasses foram em temas como agricultura e comércio digital. A organização já enfrenta um problema de credibilidade provocado pelas tensões geopolíticas e pelo avanço do protecionismo.

Durante o discurso, Lula contrapôs 2 caminhos diante do cenário global turbulento: a fragmentação das cadeias produtivas e a corrida por recursos, de um lado. A diversificação de parcerias e a cooperação internacional, entre outros. 

Citou o acordo Mercosul-União Europeia, que entra em vigor em menos de duas semanas, como exemplo do 2º caminho. Afirmou que o tratado representa um mercado de 720 milhões de pessoas e PIB de US$ 23 trilhões.

Lula aproveitou o palco da maior feira industrial do mundo para defender o modelo energético brasileiro. Afirmou que o país é um dos menos afetados pela alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio, graças às medidas do governo federal.

O petista também cobrou dos líderes das grandes potências uma resposta à escalada de guerras. “Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?”, questionou, dirigindo-se a Donald Trump (Partido Republicano), Emmanuel Macron (Renascimento, centro), Vladimir Putin (independente), Keir Stamer (Partido Trabalhista, centro-esquerda) e o chinês Xi Jinping (Partido Comunista da China).

A fala de Hannover integra uma agenda europeia de 5 dias. Lula viaja com 14 ministros e passou por Barcelona, onde cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, antes de chegar à Alemanha. 

A expectativa do governo é fechar 10 acordos bilaterais com os alemães nas áreas de defesa, inteligência artificial, bioeconomia e inovações energéticas. Na 3ª feira (21.abr.2026), o presidente segue para Lisboa.


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