Neste 27 de julho, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, o alerta é para uma doença que ainda costuma ser descoberta tardiamente no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 40 mil novos casos surgem todos os anos no país. Embora muitos tumores apresentem sintomas nas fases iniciais, aproximadamente 80% dos pacientes ainda descobrem a doença em estágio avançado. Como consequência, as chances de cura diminuem e o tratamento pode se tornar mais complexo.
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, sangramentos na boca ou no nariz e caroços no pescoço estão entre os principais sinais de alerta. Os tumores podem atingir os lábios, a cavidade oral, a faringe, a laringe e a tireoide. Por isso, qualquer sintoma que dure mais de duas semanas merece avaliação médica.
Além do diagnóstico tardio, o avanço da doença também preocupa. De acordo com o Inca, o câncer da cavidade oral ocupa a quinta posição entre os tipos mais frequentes nos homens brasileiros. Ao mesmo tempo, os casos de câncer de laringe cresceram 9,2%, o que reforça a necessidade de ampliar a conscientização da população.
Tabagismo, álcool e HPV elevam o risco
O cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas continuam entre os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço, especialmente os tumores que afetam a boca e a orofaringe. Além disso, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) também favorece o desenvolvimento da doença.
Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, muitas pessoas ainda desconhecem essa relação.
“Quando falamos em HPV, muitas pessoas ainda associam o vírus apenas ao câncer do colo do útero. No entanto, o vírus também está relacionado ao desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço, especialmente os de orofaringe.”
Dados da Fundação do Câncer mostram que o HPV está presente em 38% dos casos de câncer de orofaringe em mulheres e em 18% dos casos em homens. Dessa forma, a vacinação de meninas e meninos de 9 a 14 anos, recomendada pelo Ministério da Saúde, representa uma das principais estratégias para prevenir esses tumores.
Sintomas persistentes exigem atenção
Muitas pessoas demoram para procurar atendimento porque acreditam que os sintomas desaparecerão sozinhos. No entanto, essa espera pode atrasar o diagnóstico e reduzir as possibilidades de cura.
Flávia Miranda Corrêa alerta que os primeiros sinais não devem ser ignorados.
“O câncer de cabeça e pescoço costuma dar sinais desde o início, mas muitas pessoas acreditam que eles vão desaparecer sozinhos. Quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é fundamental procurar avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento.”
Como reduzir o risco da doença
Especialistas recomendam algumas medidas para diminuir o risco de desenvolver câncer de cabeça e pescoço:
- Não fumar.
- Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
- Manter a vacinação contra o HPV em dia.
- Procurar atendimento médico diante de sintomas que persistam por mais de duas semanas.
O diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado no combate à doença. Afinal, identificar o câncer ainda nas fases iniciais amplia as chances de cura e permite tratamentos menos agressivos.
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