SECOM BA_VACINAÇÃO 2026

O advogado especialista em direito tributário Leonardo Alves Canuto afirmou que o Brasil corre o risco de repetir, em um eventual quarto mandato de Lula da Silva (PT), problemas fiscais semelhantes aos observados durante o segundo governo de Dilma Rousseff. A avaliação foi apresentada durante o PoderDataCast, realizado em 20 de agosto, que discutiu medidas econômicas e o comportamento do eleitor de baixa renda.

Na avaliação de Canuto, parte das medidas econômicas adotadas pelo governo em 2026 possui justificativa técnica, mas outras iniciativas poderiam apresentar componente eleitoral. Para o advogado, a expansão de despesas sem uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de benefícios públicos pode aumentar a pressão sobre as contas do governo.

“Eu acredito que nós estamos preparados para viver um outro Dilma, sem dúvida nenhuma. Até porque a matemática não aceita certas extravagâncias”, afirmou Canuto durante o programa.

Advogado alerta para pressão sobre as contas públicas

Canuto argumentou que decisões relacionadas à arrecadação e aos gastos públicos precisam considerar seus efeitos futuros. Segundo ele, medidas que reduzem receitas ou ampliam despesas podem exigir posteriormente novas fontes de recursos para compensar o impacto no orçamento.

Na avaliação do advogado, a dificuldade está em construir uma política econômica capaz de equilibrar a proteção social com a criação de condições para que famílias e empresas aumentem sua capacidade de gerar renda.

O PoderDataCast, apresentado por Jonathan Karter, reuniu Canuto e João Paulo de Resende Cunha, diretor de Pesquisa do Instituto Locomotiva, para discutir justamente a influência das medidas econômicas sobre o eleitor de menor renda nas eleições de 2026.

Reforma tributária também é alvo de críticas

Durante a entrevista, Canuto criticou a condução da reforma tributária e afirmou que as mudanças podem aumentar a insegurança para empresários, investidores e consumidores.

O advogado questionou a quantidade de alterações e adiamentos ocorridos durante o processo e avaliou que parte da população ainda não consegue dimensionar os efeitos das novas regras.

Na visão dele, o excesso de burocracia e a participação elevada do Estado na economia podem dificultar a capacidade do setor privado de produzir riqueza e gerar novas oportunidades.

Canuto também afirmou que algumas políticas podem criar um ciclo de dependência em relação ao governo, em vez de ampliar a autonomia financeira das famílias.

Eleitor de baixa renda mudou suas prioridades

A análise econômica apresentada no programa foi acompanhada por uma avaliação sobre o comportamento do eleitorado.

João Paulo de Resende Cunha afirmou que o brasileiro de menor renda passou por uma transformação nas últimas décadas. Segundo o pesquisador, a população que anteriormente buscava principalmente acesso ao consumo e a serviços passou a cobrar qualidade de vida.

O debate considerou que o eleitor passou a avaliar não apenas a possibilidade de comprar bens, mas também fatores como qualidade dos serviços públicos, renda disponível, segurança financeira e custo de vida.

O Poder360 informou que o episódio analisou estratificações das pesquisas eleitorais por renda e os possíveis efeitos das medidas econômicas sobre as escolhas desse eleitorado nas urnas.

Economia pode pesar na escolha do eleitor

Resende também destacou a diferença entre indicadores macroeconômicos e a percepção da população. Mesmo quando números como PIB e inflação apresentam determinados resultados, o eleitor pode avaliar a economia a partir de experiências concretas, como preço dos alimentos, renda, emprego, endividamento e capacidade de consumo.

Nesse contexto, medidas anunciadas em período eleitoral podem ter impacto sobre a avaliação do governo, especialmente quando afetam diretamente o orçamento das famílias.

O pesquisador citou como exemplo a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, medida que, segundo sua avaliação, pode ser percebida como positiva mesmo por pessoas que não sejam diretamente beneficiadas.

Debate fiscal deve ganhar espaço na eleição

A discussão sobre gastos públicos, arrecadação, reforma tributária e programas de transferência de renda tende a ganhar espaço durante a campanha presidencial de 2026.

Para Canuto, o principal risco está na adoção de medidas com efeitos imediatos sem um planejamento para os anos seguintes. Na avaliação dele, o aumento permanente de despesas pode exigir novas fontes de arrecadação e elevar a dependência do Estado.

Já a análise de Resende aponta para outro desafio, o eleitor de baixa renda está mais exigente e não se contenta apenas com a ampliação do acesso a bens e benefícios.

O cenário coloca a economia no centro da disputa eleitoral, especialmente diante da necessidade de conciliar responsabilidade fiscal, políticas sociais, crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida.

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