A presidente da União Nacional dos Estudantes, Bianca Borges, afirmou que o governo do presidente Lula da Silva (PT) enfrenta dificuldades para se conectar com a juventude brasileira, cenário que tem impacto direto no ambiente político e eleitoral.

Em entrevista à Coluna do Estadão, Bianca avaliou que houve, dentro da esquerda, a expectativa de que a entrega de políticas públicas seria suficiente para garantir apoio popular. No entanto, segundo ela, pesquisas recentes indicam que esse modelo não tem sido suficiente para engajar os mais jovens.

“Acho que falta a gente se conectar com o sentimento das pessoas”, afirmou. Para a dirigente estudantil, demandas cotidianas, como acesso a consumo e melhoria nas condições de vida, têm pesado mais na percepção da população do que avanços estruturais, como expansão do Sistema Único de Saúde e da educação superior.

A avaliação ocorre em um contexto de queda na aprovação do presidente entre jovens. Levantamentos recentes apontam aumento da rejeição na faixa etária entre 16 e 24 anos, além de indicar uma inclinação maior desse público para posições de direita ou centro-direita.

Bianca Borges também destacou o papel das redes sociais na disputa política. Ao comparar estilos de comunicação, citou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como exemplo de forte presença digital, em contraste com Lula, que, segundo ela, não utiliza celular.

A dirigente avalia que a juventude atual é altamente conectada, mas enfrenta dificuldades para filtrar informações, o que pode favorecer narrativas mais simples e diretas no ambiente digital. “A juventude é amplamente conectada, mas pouco preparada para lidar com informações”, disse.

Outro ponto levantado por Bianca é o distanciamento histórico de parte dos jovens em relação a períodos como a ditadura militar, o que, na avaliação dela, impacta a forma como esse público percebe o cenário político atual.

Para a presidente da UNE, as eleições devem ser fortemente influenciadas por fatores geracionais, ampliando o desafio de comunicação para partidos e lideranças. O cenário, segundo ela, exige uma revisão de estratégias para aproximar o discurso político das demandas concretas da população jovem.

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