Desde o ano passado, o PT do Rio vive um clima de pé de guerra. Em outubro, o líder do partido na Câmara, deputado Lindbergh Farias, reagiu a declarações do presidente do diretório da sigla no estado, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá. Lindbergh classificou o colega como “desprezível”, de “baixo nível” e com “cheiro de esgoto”. Era uma reposta a Quaquá por ter acusado a ex-ministra Gleisi Hoffmann de usar a máquina do governo para fazer política particular. Lindbergh é casado com Gleisi.

Agora, a briga se intensificou. Lindbergh não aceita o fato de Quaquá, como vice-presidente nacional do partido, entregar o disputado número de urna 1313 para o próprio filho, Diego Quaquá, presidente estadual do PT que concorrerá a uma vaga de deputado federal. O número 1313 foi usado por Washington Quaquá na eleição de 2022, quando foi eleito deputado federal.

Quem briga pelo disputado número?

O número 1313 era uma ‘reivindicação’ de outros petistas do Rio e vinha sendo disputado nos bastidores por Lindbergh e pelo ex-presidente da Embratur, Marcelo Freixo. Ambos são considerados dentro do partido como dois grandes puxadores de votos nas próximas eleições no Rio de Janeiro.

Lindbergh e Freixo, em reação à decisão de Quaquá, dizem que a decisão do prefeito representa a criação de uma “capitania hereditária”, o sistema administrativo criado por Portugal em 1534 para povoar o Brasil, dividindo o território em grandes faixas de terra entregues a nobres donatários.

Lindbergh e Freixo impetraram uma queixa no Diretório Nacional do PT contra a decisão de Quaquá de entregar o 1313 para o filho. O argumento principal é que o PT do Rio entregou o número de forma autoritária para Diego. Para os dois, é inaceitável que interesses familiares orientem as decisões estratégicas da legenda.

 Quaquá diz que ainda estaria dentro de seu mandato de deputado federal, caso não tivesse sido eleito prefeito, para justificar que o número pertence a ele a à família. “Eu nunca cogitei sair do PT e no pior momento do partido e em meio a perseguição ao presidente Lula eu estava lá defendendo o PT e o Lula! O PT é minha vida e o Lula o meu ídolo! Eu sempre os defendi, mesmo quando todos estavam abandonando o barco!”, escreveu Quaquá nas redes sociais.

“Quanto ao número 1313, ele foi usado por mim e agora será usado pelo presidente do PT no Estado, representante do município que é símbolo do que o PT tem de melhor! O choro é livre! E os que abandonaram o barco no passado e falavam mal do PT que baixem a bola!”, escreveu Quaquá.

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