O Diretório Nacional da Rede Sustentabilidade aprovou por unanimidade, nesta segunda-feira (9), a continuidade da federação partidária com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) pelos próximos quatro anos. A decisão consolida o arranjo político iniciado nas eleições de 2022 e projeta a aliança para a disputa eleitoral de 2026.
Ao todo, 68 integrantes votaram a favor e nenhum se posicionou contra a manutenção da federação entre as duas legendas.
A decisão ocorre poucos dias depois de o próprio PSOL também ter aprovado internamente a renovação da parceria com a Rede, reforçando a estratégia de atuação conjunta no campo progressista.
Debate interno e defesa da aliança
Durante as discussões internas, a deputada federal Heloísa Helena (Rede-AL), que atua como coordenadora nacional de organização do partido, defendeu a permanência da federação e ressaltou a convergência política entre as duas siglas.
Segundo ela, a Rede respeita as decisões estratégicas tomadas pelo PSOL e avalia que a aliança mantém coerência com os princípios defendidos pelas legendas.
“Respeitamos a decisão do PSOL, como respeitaríamos se fosse diferente. Caminharemos juntos na federação PSOL-Rede, com toda coerência ideológica que a dura realidade nos impõe”, afirmou.
O porta-voz nacional da Rede, Paulo Lamac (Rede-MG), também destacou que o processo de decisão ocorreu após amplo debate interno.
“Todas as correntes do partido foram ouvidas. Seguiremos trabalhando com base em princípios programáticos e na defesa de um Brasil mais justo, solidário e sustentável”, declarou.
Resistência à federação liderada pelo PT
A manutenção da federação PSOL-Rede ocorre após o fracasso da tentativa do PT de ampliar a chamada Federação Brasil da Esperança, que reúne atualmente o PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV).
Dentro do PSOL houve forte resistência à proposta de integrar o bloco liderado pelo partido do presidente Lula da Silva (PT).
A articulação para aproximar as legendas contou com apoio de lideranças como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Apesar disso, a proposta foi rejeitada por ampla maioria, com 75,8% dos integrantes do Diretório Nacional do PSOL votando contra a entrada na federação comandada pelo PT.
Estratégia para as eleições de 2026
As federações partidárias foram criadas pela reforma eleitoral de 2021 e funcionam como alianças obrigatórias de longo prazo, exigindo que os partidos atuem juntos por pelo menos quatro anos, compartilhando bancada no Congresso e estratégias eleitorais.
Para as eleições de 2026, a federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade precisará alcançar ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, ou eleger 13 deputados federais para superar a cláusula de desempenho.
Nas eleições de 2022, a aliança superou esse requisito ao conquistar 4,29% dos votos nacionais e eleger 14 deputados federais, garantindo presença no Congresso Nacional e fortalecendo a articulação política entre as duas legendas.
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