Dinheiro federal será usado para manter usinas abertas, financiar minas e construir terminal de exportação; ambientalistas criticam

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na 5ª feira (4.jun.2026) a injeção de US$ 700 milhões na indústria de carvão do país. O pacote busca frear o declínio do setor, impulsionar o que o republicano chama de “carvão limpo e belo” e reduzir os custos de energia para a população norte-americana.

RECURSOS E USINAS 

Do valor total, US$ 425 milhões serão liberados por meio da Lei de Produção para a Defesa, aprovada em 1950. A lei concede ao presidente norte-americano poderes de emergência sobre indústrias nacionais. O valor servirá para evitar o fechamento de 14 usinas distribuídas em 10 Estados, e de manter 42 minas de extração de carvão operacionais. Entre as empresas beneficiadas estão a Duke Energy, a Hallador Energy, a Oklahoma Gas & Electric e a American Electric Power.

Outra fatia de US$ 75 milhões, também com base na legislação de defesa, será destinada à construção do terminal de exportação West Gateway, localizado em Oakland, na Califórnia. A nova infraestrutura abrirá uma rota comercial com capacidade para exportar até 12 milhões de toneladas de carvão dos EUA por ano para o exterior.

O plano inclui ainda cerca de US$ 185 milhões em subsídios concedidos pelo Departamento de Energia. O recurso ajudará a financiar a construção de duas novas termelétricas a carvão no Alasca e na Virgínia Ocidental, bem como a reativação de uma usina desativada no Estado de Maryland.

INFLAÇÃO E CRISE ENERGÉTICA

A medida da Casa Branca se dá em um contexto de alta nos preços da eletricidade e dos combustíveis, cenário que representa um risco político significativo para o Partido Republicano nas eleições legislativas de novembro. A eletricidade nos EUA encareceu em razão da demanda extra gerada pela instalação de novas fábricas e de data centers desenvolvidos para alimentar a indústria de inteligência artificial.

A situação econômica foi agravada pelos reflexos no mercado internacional de petróleo após a decisão de Trump de iniciar um conflito com o Irã. Como resposta, o governo iraniano fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da energia global, o que provocou alta nos preços da gasolina.

O governo defende que o fomento à energia fóssil aliviará a crise. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o carvão é “uma fonte crítica para a nossa eletricidade e indústria”

CRÍTICAS AMBIENTAIS 

A injeção de recursos públicos em uma fonte de energia poluente gerou reação de ambientalistas. O carvão emite os maiores níveis de gases de efeito estufa entre os combustíveis, fenômeno associado às mudanças climáticas.

Como apurou o jornal O Globo, Eben Burnham-Snyder, diretor-gerente da Signal Group, afirmou que prolongar artificialmente a vida útil das usinas é “como jogar dinheiro em carruagens puxadas por cavalos para ajudar a reduzir os preços da gasolina”. Segundo ele, o montante poderia desenvolver capacidade muito superior se fosse aplicado em fontes alternativas mais baratas e limpas, a exemplo da energia solar, eólica ou nuclear avançada.

O chefe da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, apontou a queima de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão, como a “principal culpada” pela elevação recorde das temperaturas globais que deve ser observada em 2026 e nos próximos anos.

Os EUA foram a única potência mundial a expandir de forma substancial a sua geração de energia a carvão no último ano, segundo o Monitor de Energia Global. O insumo respondeu por 17% de toda a matriz elétrica norte-americana em 2025. Porém, a EIA (Administração de Informação Energética) do país calcula que a geração a carvão deverá encolher em média 5% ao ano até 2027.

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