A abertura da chamada janela partidária para deputados federais, que permite a troca de partido sem risco de perda de mandato, desencadeou uma intensa movimentação política no Congresso Nacional do Brasil. O prazo começou na última quinta-feira (5) e segue até 4 de abril, data limite para quem pretende disputar as eleições de outubro estar filiado a uma sigla.
Nos bastidores de Brasília, a expectativa é de que cerca de 10% dos parlamentares mudem de partido nas próximas semanas. O fenômeno já começa a impactar o funcionamento do Legislativo, com sessões esvaziadas e ritmo reduzido de votações.
Na Câmara dos Deputados, por exemplo, foi adotado um calendário com três semanas de sessões remotas, enquanto no Senado Federal do Brasil o ritmo já desacelerou desde o retorno do recesso parlamentar.
Migrações guiadas por cálculo eleitoral
Mais do que afinidade ideológica, a decisão de trocar de partido costuma ser guiada por cálculos eleitorais. Deputados analisam fatores como força de candidatos a governador em seus estados, possibilidade de eleger bancadas maiores e presença de “puxadores de voto”.
Um dos movimentos observados nos bastidores é a migração de parlamentares do chamado centrão para o Partido Liberal (PL), partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em busca de associação política com a base bolsonarista.
Ao mesmo tempo, partidos com forte presença regional ou maior acesso a recursos eleitorais também disputam filiações estratégicas para ampliar suas bancadas.
Senado na disputa
As articulações não se restringem à Câmara. No Senado, alguns parlamentares já mudaram de sigla de olho em disputas estaduais.
O senador Efraim Filho (PL-PB), por exemplo, deixou o União Brasil para se filiar ao PL e preparar candidatura ao governo da Paraíba.
Já o senador Alan Rick (Republicanos-AC) se filiou ao Republicanos para disputar o governo do Acre.
Antes mesmo da abertura oficial da janela partidária, mudanças já vinham ocorrendo de forma gradual. Levantamentos indicam que quase 10% dos deputados federais trocaram de partido durante a atual legislatura.
Entre as siglas que mais cresceram está o Republicanos, partido presidido na Câmara pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que ampliou sua bancada em oito parlamentares desde as eleições de 2022.
Outras legendas também registraram crescimento, como o PSD e PP. Já o PL registra atualmente uma bancada menor do que a obtida na eleição passada, após saídas para siglas do centrão e para o Partido Novo.
Disputa por puxadores de voto
Em alguns estados, a disputa por vagas nas chapas proporcionais gira em torno de lideranças capazes de atrair grande votação.
Em Minas Gerais, por exemplo, o PL aposta na reeleição do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para ampliar sua bancada federal. A expectativa de votação recorde do parlamentar desencadeou uma corrida de políticos interessados em compor a chapa da legenda.
No entanto, aliados de Nikolas defendem um filtro nas novas filiações, priorizando candidatos alinhados politicamente com a direita e com o projeto presidencial bolsonarista.
Fundo eleitoral
Outro fator decisivo nas negociações é o acesso ao fundo eleitoral, principal fonte de financiamento das campanhas.
Partidos com maior volume de recursos públicos, como União Brasil e PP, possuem recursos financeiros para atrair candidatos competitivos e fortalecer suas chapas.
Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que a janela partidária deste ano deve fortalecer siglas como PSD, Podemos e Republicanos, enquanto partidos tradicionais como PSDB e PDT podem perder espaço.
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