A recusa familiar à doação de órgãos chegou a 67% na Bahia entre janeiro e julho de 2026, segundo dados consolidados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). No mesmo período de 2025, a taxa média mensal foi de 58,3%. O avanço do indicador chama atenção para um dos principais obstáculos à ampliação das doações no estado: a autorização das famílias.
Na prática, quase sete em cada dez famílias abordadas não autorizam a doação. Entre os fatores relacionados à negativa estão o medo, a falta de informação e os tabus que ainda cercam o tema, especialmente quando os familiares desconhecem se a pessoa manifestava ou não o desejo de ser doadora.
Os dados ganham relevância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos e à importância de ampliar o diálogo sobre o assunto.
Recusa aumentou em seis dos sete meses analisados
A comparação dos dados da Sesab mostra que a taxa de recusa familiar em 2026 ficou acima da registrada no mesmo período de 2025 em seis dos sete primeiros meses do ano.
Em janeiro, o índice passou de 68% para 70%. Em fevereiro, de 61% para 68%; em março, de 56% para 63%; e, em abril, de 52% para 72% — uma diferença de 20 pontos percentuais.
A tendência se manteve em maio, quando a recusa passou de 52% em 2025 para 69% em 2026, e em junho, com avanço de 48% para 69%. Julho foi o único mês da série apresentada em que houve redução: de 71% para 66%.
Conversar sobre doação pode facilitar decisão da família
Para a Dra. Juliana Caldas, médica e coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do Hospital São Rafael, os números ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas para ampliar as doações.
“Os dados da Sesab confirmam por que as nossas filas só aumentam e o número de doações cai por conta da recusa familiar. A cada dez famílias que a gente entrevista no HSR, sete recusam a doação. É um número extremamente alarmante. Na maioria das vezes, a recusa acontece porque a família simplesmente não sabe se a pessoa desejava ou não ser doadora. Por isso, reforçamos tanto a importância de conversar sobre esse assunto em casa, com leveza e clareza. Avise sua família hoje: ‘Eu quero ser doador’. Ter essa certeza alivia o peso da decisão para quem fica e transforma a dúvida em um legado de vida”, destaca a médica.
Setembro Verde leva discussão ao Hospital São Rafael
Dentro das ações do Setembro Verde, o Hospital São Rafael promove nesta quarta-feira (9), às 14h, a roda de conversa “Mitos e tabus na doação de órgãos e tecidos”, no Auditório Luigi Faroldi.
O encontro reúne médicos especialistas, líderes religiosos, representantes da sociedade civil e pacientes para discutir aspectos éticos, emocionais e socioculturais relacionados à doação. A atividade busca esclarecer dúvidas e estimular conversas sobre o tema antes que a decisão precise ser tomada pela família em um momento de luto.
A roda de conversa é gratuita e aberta a pacientes, familiares e à comunidade.
Serviço
Roda de conversa: Mitos e tabus na doação de órgãos e tecidos
Data: 9 de setembro (quarta-feira)
Horário: 14h
Local: Auditório Luigi Faroldi – Hospital São Rafael
Endereço: Avenida São Rafael, 2152
Público: pacientes, familiares e comunidade em geral
Entrada: gratuita
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