A Bahia, principal colégio eleitoral do Nordeste, tornou-se um dos estados mais estratégicos na disputa eleitoral de 2026 e um dos principais termômetros das dificuldades enfrentadas pelo PT na região que, há mais de duas décadas, representa o principal reduto eleitoral da legenda no país.
Levantamento analisado na reportagem do jornalista Pedro Jordão, publicada pela revista Veja, aponta que a tradicional hegemonia da esquerda nordestina enfrenta sinais de desgaste em diversos estados, especialmente na Bahia, onde o governador Jerônimo Rodrigues (PT) buscará a reeleição em meio a um cenário muito mais competitivo do que em pleitos anteriores.
O estado é governado pelo PT desde 2007, quando Jaques Wagner iniciou a sequência de administrações petistas que se estende até hoje. Caso Jerônimo conquiste um novo mandato, o partido alcançará sua sexta vitória consecutiva para o Palácio de Ondina.
Entretanto, pesquisas recentes indicam um ambiente eleitoral mais desafiador. O principal adversário do grupo governista é o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que mantém forte presença política no estado e trabalha para consolidar uma ampla aliança de oposição.
Segundo especialistas ouvidos pela Veja, diversos fatores ajudam a explicar o enfraquecimento gradual da predominância petista no Nordeste. Entre eles estão o desgaste natural provocado por longos ciclos de poder, a crescente preocupação dos eleitores com a segurança pública, a inflação, o custo de vida e a mobilidade urbana. Mas, a principal, que a revista esqueceu, é a violência e criminalidade no estado. O estado registra em quase todas as regiões, dezenas de assassinatos semanalmente.
Na Bahia, a questão da violência aparece como um dos temas mais sensíveis do debate eleitoral. O estado figura há anos entre os que registram elevados índices de criminalidade, tema que vem sendo explorado por adversários do governo estadual e que tende a ganhar ainda mais relevância durante a campanha.
Outro fator apontado é a redução do impacto político dos programas sociais que marcaram os primeiros governos do presidente Lula da Silva (PT). Analistas observam que o perfil do eleitor nordestino mudou nos últimos anos, especialmente com o crescimento de uma nova classe média urbana, mais exigente em relação à prestação de serviços públicos e aos resultados concretos da administração.
Apesar do cenário de maior competitividade, Lula continua sendo uma liderança de forte influência na região. Em diversos estados nordestinos, inclusive na Bahia, candidatos de diferentes espectros políticos buscam associar suas imagens ao presidente, demonstrando que sua popularidade ainda possui peso relevante no eleitorado.
O movimento, contudo, não significa necessariamente um avanço do bolsonarismo. A reportagem destaca que partidos de centro e legendas do chamado Centrão têm sido os principais beneficiados pela reorganização política regional. Siglas como União Brasil, PP, PSD e PSDB aparecem competitivas em diferentes estados do Nordeste.
Na Bahia, por exemplo, a estratégia da oposição, que é liderada pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), líder em todas as pesquisas. Neto e o grupo tem buscado construir uma alternativa local sem necessariamente vincular a disputa ao embate nacional entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores, lideranças políticas avaliam conforme apurou o #Acesse Política, que a pauta regional tende a ter peso maior para o eleitor baiano do que a polarização nacional.
O alerta também alcança o Palácio do Planalto. Dados de pesquisas recentes mostram redução da vantagem de Lula na região em cenários de segundo turno, embora o presidente continue liderando com folga. O movimento é acompanhado com atenção pelo PT, que considera o Nordeste fundamental para seus projetos eleitorais.
Com cerca de 27% do eleitorado brasileiro concentrado na região e a Bahia ocupando posição de destaque nesse cenário, o desempenho do nosso estado poderá ser decisivo para definir os rumos políticos do Nordeste e influenciar diretamente a disputa presidencial.
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