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A vacina da gripe causa gripe? Quem tomou no ano passado precisa tomar novamente? Crianças devem receber duas doses? Quem tem alergia a ovo pode se vacinar? Com a chegada do inverno e o aumento da circulação dos vírus respiratórios, essas e muitas outras dúvidas voltam a aparecer.

 

Para ajudar a esclarecer os principais questionamentos da população, o Portal ComSaúde Bahia reuniu informações do epidemiologista Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, do Grupo Fleury, e da enfermeira Doiane Lemos, coordenadora do Programa de Imunização da Prefeitura de Salvador, durante participação no PodComSaúde.

Os especialistas explicam por que a vacinação continua sendo uma das estratégias mais eficazes para prevenir casos graves, internações e mortes causadas pelo vírus influenza, além de esclarecer mitos, orientar sobre quem deve receber o imunizante e destacar a importância da proteção coletiva.

Da necessidade de tomar a vacina todos os anos até as diferenças entre gripe, resfriado e COVID-19, passando pelos cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, confira as respostas para as dúvidas mais frequentes sobre uma das vacinas mais importantes da temporada.

Afinal, por que a vacina da gripe precisa ser tomada todos os anos?

Essa é uma das perguntas mais comuns.

Diferentemente de algumas vacinas que oferecem proteção duradoura, a vacina da gripe precisa ser atualizada periodicamente porque o vírus influenza sofre mutações frequentes.

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora continuamente as variantes que circulam em diferentes regiões do planeta para definir quais cepas devem compor a vacina de cada temporada.

Essa atualização é realizada com base nas análises dos vírus identificados em diferentes regiões do mundo, permitindo que a vacina acompanhe as mudanças do influenza e mantenha sua eficácia“, explica o epidemiologista Dr. José Geraldo Leite Ribeiro.

Doiane Lemos reforça que essa atualização anual é fundamental para manter a proteção da população.

Todos os anos a vacina é atualizada para acompanhar as variantes que estão circulando com mais frequência. Por isso, mesmo quem se vacinou no ano passado precisa receber a nova dose.”

Imagem: Magnific

O que mudou na vacina contra a gripe este ano?

Neste ano, os fabricantes atualizaram os imunizantes para proteger contra as cepas com maior circulação global.

A vacina tetravalente, indicada para pessoas a partir dos seis meses de idade, protege contra quatro tipos de vírus influenza: duas linhagens do tipo A (H1N1 e H3N2) e duas do tipo B.

Já a Efluelda, recomendada para pessoas com mais de 60 anos, passou a ser trivalente em 2026.

Outra mudança importante foi a retirada da linhagem Yamagata da composição das vacinas. A decisão ocorreu porque essa variante não circula desde 2023.

Segundo os especialistas, a alteração não compromete a proteção oferecida pelo imunizante.

Quanto tempo a vacina leva para fazer efeito?

A proteção não acontece imediatamente após a aplicação.

Segundo Dr. José Geraldo, o organismo leva cerca de duas semanas para produzir uma resposta imunológica adequada.

A proteção máxima costuma permanecer entre três e quatro meses, embora algum grau de proteção possa durar por até um ano.

Por isso, a recomendação é se vacinar antes dos períodos de maior circulação viral, geralmente entre março e maio.

Existe uma vacina mais potente para idosos?

Sim.

Pessoas com mais de 60 anos podem receber a Efluelda, uma vacina desenvolvida para oferecer uma resposta imunológica mais robusta.

Ela possui quatro vezes mais antígenos do que a vacina convencional.

Com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a responder com menos intensidade. A dose reforçada ajuda a compensar essa diferença”, destaca Dr. José Geraldo.

Estudos apontam que a formulação aumenta em cerca de 24% a eficácia da proteção nessa faixa etária.

Além disso, segundo o especialista, não há aumento significativo de efeitos adversos em comparação com a vacina convencional.

Quem mais precisa se preocupar com a vacinação?

A vacinação é importante para toda a população elegível, mas alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver complicações graves da gripe.

Entre eles estão:

• Idosos;
• Gestantes;
• Crianças pequenas;
• Pessoas com doenças crônicas;
• Pessoas imunossuprimidas.

Segundo Doiane Lemos, proteger esses grupos é uma das principais estratégias para reduzir hospitalizações e mortes associadas à doença.

A vacinação continua sendo a forma mais segura e eficaz de prevenir casos graves, internações e mortes causadas pela gripe.”

Como funciona a vacinação das crianças?

Para crianças entre seis meses e oito anos que nunca receberam a vacina contra a gripe, o esquema inicial prevê duas doses, com intervalo de um mês entre elas.

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Após essa primeira imunização, a recomendação passa a ser de apenas uma dose anual.

Crianças que receberam duas doses na primeira vacinação devem receber apenas uma dose nos anos posteriores“, esclarece Dr. José Geraldo.

A partir dos nove anos de idade, o esquema segue as mesmas orientações aplicadas aos adultos.

E os bebês menores de seis meses?

Nessa faixa etária, a vacina ainda não é indicada.

Como não existem evidências suficientes de eficácia e segurança para esses bebês, a principal estratégia de proteção é a vacinação da gestante durante a gravidez.

Os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida.

Mito ou verdade: a vacina da gripe causa gripe?

Mito.

E esse continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas campanhas de vacinação.

Segundo Doiane Lemos, a vacina é produzida com vírus inativados, incapazes de provocar a doença.

A vacina é produzida com vírus inativados e não possui capacidade de causar gripe.”

Mas então por que algumas pessoas relatam sintomas após a vacinação?
A explicação geralmente está em uma destas situações:

• A pessoa já estava incubando algum vírus respiratório;
• Teve contato com o influenza antes de desenvolver proteção completa;
• Contraiu outro vírus respiratório que não é coberto pela vacina.

Muitas vezes, a pessoa já estava incubando outro vírus respiratório ou teve contato com o influenza antes de desenvolver a proteção completa oferecida pela vacina“, esclarece Doine.

Quem tem alergia a ovo pode receber a vacina?

Na maioria dos casos, sim.

Segundo Dr. José Geraldo, a quantidade residual presente na vacina é muito pequena e não costuma provocar reações.

Apenas pessoas com histórico de anafilaxia grave devem procurar avaliação médica antes da aplicação.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Quando surgem, costumam ser leves e temporários.

Os sintomas mais frequentes são:

• Dor no local da aplicação;
• Vermelhidão;
• Febre baixa;
• Sensação de mal-estar.

Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem espontaneamente em até 48 horas.

O que a vacina contra a gripe não protege?

Essa é uma informação importante.

Imagem: Magnific

A vacina protege exclusivamente contra o vírus influenza.

Ela não previne infecções causadas por outros vírus respiratórios, como rinovírus, adenovírus, metapneumovírus e vírus sincicial respiratório.

Ela imuniza exclusivamente contra a gripe causada pelo influenza”, reforça Dr. José Geraldo.

Isso explica por que algumas pessoas vacinadas ainda podem apresentar sintomas respiratórios ao longo do ano.

Além da vacina, o que mais ajuda a prevenir doenças respiratórias?

Embora a vacinação seja a principal forma de proteção, ela não deve ser a única.
Doiane Lemos lembra que hábitos simples continuam sendo aliados importantes na prevenção.

Higienizar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sintomas respiratórios são atitudes que complementam a proteção oferecida pela vacina.

Gripe e COVID-19 ainda podem ser confundidas?

Sim.

Segundo Dr. José Geraldo, os sintomas das duas doenças ficaram ainda mais parecidos após o surgimento das variantes mais recentes do coronavírus.

Com as variantes mais recentes da COVID-19, o quadro clínico ficou ainda mais semelhante ao da gripe.”

Por esse motivo, muitas vezes é necessário realizar testes laboratoriais para identificar corretamente qual vírus está causando a infecção.

Posso tomar a vacina da gripe e da COVID-19 no mesmo dia?

Sim.

Não existe necessidade de intervalo entre as duas vacinas.

Elas podem ser aplicadas no mesmo dia, seguindo as orientações dos profissionais de saúde.

Existe alguma situação em que a vacina deve ser adiada?

Sim.

Pessoas com alguma infecção aguda em curso, como gripe, dengue ou COVID-19, devem aguardar a recuperação antes de receber a vacina.

Não é recomendado se vacinar durante uma doença infecciosa aguda. O ideal é que a pessoa esteja sem febre e sem sintomas no dia da aplicação”, orienta Dr. José Geraldo.

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O que realmente vale a pena lembrar?

Se existe uma mensagem que resume tudo o que os especialistas explicam, ela é simples:

A vacina da gripe continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para prevenir formas graves da doença.
Ela não causa gripe, pode ser aplicada junto com a vacina da COVID-19, é segura para a grande maioria das pessoas e precisa ser atualizada todos os anos porque o vírus influenza muda constantemente.

Quanto maior a cobertura vacinal, maior também a proteção da comunidade, especialmente daqueles que apresentam maior risco de complicações.

E quando o assunto é gripe, prevenir continua sendo muito mais simples do que tratar.

 

Assista o episódio completo do PodComSaúde sobre vacinação.

CLIQUE AQUI.

PodComSaúde – Episódio 1
Dr. José Geraldo Leite Ribeiro

Fonte: clique aqui.

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