A relação entre o Ministério da Agricultura e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enfrenta novos momentos de tensão. Integrantes da bancada ruralista demonstraram insatisfação com a atuação do ministro André de Paula após reunião realizada nesta semana com a diretoria da entidade, em Brasília.
Segundo relatos publicados pela revista Veja, a avaliação de parte dos parlamentares é que o ministro ainda não apresentou posicionamentos considerados consistentes sobre algumas das principais demandas do setor agropecuário brasileiro. Entre os temas apontados estão o endividamento dos produtores rurais, as restrições impostas pela União Europeia a produtos brasileiros e a elaboração do Plano Safra 2026/2027.
O encontro reuniu o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, além dos deputados federais Sergio Souza, Alceu Moreira, Marussa Boldrin, Zé Vitor, Tião Medeiros, Arnaldo Jardim e Pezenti, além de representantes do Instituto Pensar Agropecuária (IPA).
A insatisfação surge pouco mais de dois meses após André de Paula assumir o comando da pasta, substituindo o ex-ministro Carlos Fávaro. Ao chegar ao ministério, o novo titular foi recebido com expectativa positiva por lideranças do agronegócio devido ao seu histórico de articulação política e experiência no Congresso Nacional.
Apesar das críticas, o Ministério da Agricultura tem sustentado que mantém diálogo permanente com o setor produtivo. Em nota divulgada após a reunião com a FPA, a pasta informou que o encontro teve como foco discutir competitividade, sustentabilidade, inovação, crédito rural, comércio internacional e aperfeiçoamento regulatório da agropecuária brasileira.
Durante a reunião, representantes do ministério também destacaram as tratativas em andamento com autoridades da União Europeia para responder aos questionamentos relacionados aos sistemas brasileiros de rastreabilidade, certificação e controle sanitário dos produtos agropecuários.
Outro ponto que continua mobilizando o setor é a construção do Plano Safra 2026/2027. O governo federal já recebeu propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para a formulação do programa, considerado fundamental para garantir financiamento e crédito aos produtores rurais.
Nos bastidores, integrantes da bancada ruralista defendem uma atuação mais incisiva do ministério junto ao Palácio do Planalto para atender às demandas do setor. Parlamentares argumentam que temas como crédito rural, renegociação de dívidas e acesso a mercados internacionais exigem maior protagonismo político da pasta.
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