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Com a chegada das temperaturas mais baixas e o aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o país, cresce também a preocupação com a bronquiolite, uma das principais causas de internação infantil nos primeiros anos de vida. A doença é provocada, na maioria dos casos, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), agente altamente contagioso que afeta principalmente bebês e crianças pequenas.

De acordo com dados nacionais, até julho de 2024, mais de 22 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR foram registrados em crianças de até dois anos, além de quase 200 óbitos. Já em 2025, o cenário se agravou. O Brasil apresentou crescimento superior a 60% nas internações por SRAG em menores de dois anos em comparação ao ano anterior, acumulando cerca de 43,2 mil casos de VSR até outubro.

Segundo a fisioterapeuta respiratória pediátrica Carol Xavier, o avanço dos casos exige atenção redobrada das famílias, especialmente durante os períodos mais frios do ano, quando a circulação viral costuma aumentar.

Entenda o que é a bronquiolite

A bronquiolite é uma infecção respiratória que compromete os bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões responsáveis pela passagem do ar. O quadro é mais frequente em bebês com menos de dois anos e pode evoluir rapidamente, principalmente em crianças prematuras, com doenças cardíacas, pulmonares ou imunológicas.

Inicialmente, os sintomas podem se parecer com um resfriado comum. Entretanto, conforme a doença evolui, a criança pode apresentar chiado no peito, dificuldade para respirar, tosse intensa, febre e cansaço excessivo.

Em muitos casos, os pais percebem que o bebê passa a respirar mais rápido, apresenta esforço respiratório e dificuldade para mamar. Esses sinais merecem avaliação médica imediata”, explica Carol Xavier.

Imagem: Magnific

Além disso, ambientes fechados, pouca ventilação e contato com pessoas gripadas favorecem ainda mais a disseminação do vírus entre as crianças.

Casos aumentam durante os meses mais frios

Durante o outono e o inverno, o número de infecções respiratórias costuma crescer significativamente. Isso ocorre porque as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão do VSR e de outros vírus respiratórios.

Ao mesmo tempo, bebês pequenos ainda possuem o sistema imunológico em desenvolvimento, tornando-se mais vulneráveis às complicações da bronquiolite. Em situações mais graves, a doença pode exigir internação hospitalar e suporte respiratório.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da prevenção e do reconhecimento precoce dos sintomas.

Novas estratégias ampliam prevenção contra o VSR

Nos últimos anos, novas medidas preventivas passaram a integrar o enfrentamento ao VSR. Entre elas, está a vacinação de gestantes, estratégia que ajuda a transferir anticorpos para o bebê ainda durante a gravidez, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida.

Outra novidade é o Nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para proteger bebês contra formas graves da infecção causada pelo VSR. A medicação começou a ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro deste ano para grupos de maior risco, representando um avanço importante na prevenção da bronquiolite grave.

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Segundo Carol Xavier, a chegada dessas estratégias traz novas perspectivas para reduzir internações e complicações respiratórias na infância.

Hoje temos recursos importantes para proteger os bebês mais vulneráveis. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar quadros graves e reduzir o impacto da bronquiolite nas famílias e nos serviços de saúde”, destaca a especialista.

Medidas simples ajudam a reduzir o risco de infecção

Além das novas estratégias preventivas, alguns cuidados continuam sendo fundamentais no dia a dia. Entre eles estão a higienização frequente das mãos, evitar contato de bebês com pessoas gripadas, manter ambientes ventilados e atualizar a vacinação infantil.

A amamentação também desempenha papel importante na proteção contra infecções respiratórias, já que fortalece o sistema imunológico da criança nos primeiros meses de vida.

Especialistas alertam ainda que sinais como dificuldade respiratória, coloração arroxeada nos lábios, recusa alimentar e sonolência excessiva devem ser avaliados rapidamente por um profissional de saúde.

Fonte: clique aqui.

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