O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Zucco (PL-RS), apresentou um pedido para que uma comitiva parlamentar brasileira viaje a El Salvador com o objetivo de conhecer de perto a política de segurança e o sistema prisional implantados pelo presidente Nayib Bukele, reconhecido mundialmente pela tolerância zero ao crime organizado.

O requerimento foi protocolado nesta última sexta-feira (31) na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) e propõe uma missão oficial com foco em observar o modelo adotado pelo governo salvadorenho.

Segundo Zucco, o Brasil pode aprender com as estratégias que levaram à redução drástica dos índices de criminalidade no país centro-americano. “Precisamos conhecer quem alcançou resultados concretos. É importante observar de perto as práticas que deram certo e avaliar o que pode ser aplicado à nossa realidade”, defendeu o parlamentar.

Bukele e o endurecimento contra o crime

O presidente Nayib Bukele, considerado uma figura controversa, é amplamente admirado por setores da direita brasileira — especialmente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que assumiu o comando de El Salvador, Bukele implementou uma política de enfrentamento direto às gangues, utilizando o emprego massivo de policiais e militares nas regiões dominadas pelo crime.

Há dois anos, decretou um regime de exceção que permite prisões em massa sem mandado judicial e amplia os poderes do Estado para manter suspeitos em detenção preventiva. A medida segue em vigor e levou o país a ter a maior taxa de encarceramento do mundo, com cerca de 1.600 presos por 100 mil habitantes.

Apesar das críticas de organismos internacionais por supostas violações de direitos humanos, o governo salvadorenho exibe resultados expressivos: a taxa de homicídios caiu de 53 por 100 mil habitantes em 2018 para apenas 1,9 em 2024, uma das menores da América Latina.

Elogios a governos vizinhos

Em paralelo, Zucco também apresentou moções de louvor na Comissão de Relações Exteriores para reconhecer os governos da Argentina e do Paraguai, que recentemente classificaram as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas.

A iniciativa ocorreu poucos dias após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que reacendeu o debate sobre o avanço do crime organizado e as limitações do sistema de segurança pública brasileiro.

Com a visita a El Salvador, os deputados da oposição pretendem estudar alternativas de endurecimento penal e levar ao Congresso propostas inspiradas no modelo salvadorenho — símbolo de uma política de segurança que divide opiniões, mas que tem se mostrado, aos olhos de seus defensores, eficiente e exemplar.

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