Novo objetivo da cidade chinesa é ter menos de 16% da população acima de 15 anos fumante até 2030

Pioneira na legislação de controle do tabaco na China, a cidade de Shenzhen quer reduzir sua população fumante em 250 mil pessoas nos próximos 4 anos.

A meta ambiciosa vem depois de o polo tecnológico do sul da China receber reconhecimento da Organização Mundial da Saúde por seus esforços agressivos contra o tabagismo, que agora serão ampliados em nível regional na Grande Baía.

Wu Hongyan, diretora da comissão municipal de saúde, divulgou na 5ª feira (28.mai.2026) que a taxa de fumantes na cidade entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 17,4%, bem abaixo da média nacional da China. Sob o Plano de Ação China Saudável, de Pequim, a meta é reduzir a taxa para menos de 20% no país até 2030. Shenzhen já superou esse objetivo.

O próximo marco da cidade, estabelecido em seu plano local de saúde, é baixar a taxa para menos de 16% até 2030. Como Shenzhen tinha 18,25 milhões de habitantes no fim de 2025, atingir essa meta exigirá convencer cerca de 250 mil moradores a parar de fumar nos próximos 4 anos, segundo estimativas da comissão de saúde.

Na 5ª feira (28.mai), a OMS entregou ao governo municipal de Shenzhen o Prêmio Dia Mundial sem Tabaco de 2026, em reconhecimento a suas contribuições para o controle do tabaco. É a 6ª cidade da China continental a receber a homenagem.

Historicamente, o controle do tabaco na China enfrentou forte resistência por causa dos interesses poderosos da indústria estatal do tabaco. O país ainda não tem lei nacional que proíba fumar em locais públicos, deixando os governos responsáveis por elaborar suas próprias políticas, muitas delas sem punições rígidas ou cobertura ampla.

Mesmo Shenzhen enfrentou dificuldades no início. Embora tenha aprovado a 1ª regulamentação local de controle do tabaco da China em 1998, a lei foi amplamente tratada como “papel sem valor” depois de a cidade passar mais de uma década sem aplicar uma única multa.

“Nos últimos anos, Shenzhen explorou e formou um ‘modelo de 7 frentes’ para o controle do tabaco, com o objetivo de passar de programas-piloto a modelo nacional”, disse Wu na 5ª feira. A estrutura abrange legislação, fiscalização, padrões, educação pública, tecnologia, resposta a reclamações e ação social conjunta.

A virada veio em março de 2014, quando Shenzhen revisou suas regras de controle do tabaco e estabeleceu responsabilidades legais claras e punições a infratores. Em 2019, a cidade ampliou a proibição para cigarros eletrônicos e áreas externas próximas a estações de transporte público.

No ano passado, Shenzhen apresentou o 1º padrão local da China para ambientes livres de fumaça, em transição de regras para métricas padronizadas e avaliáveis, que abrangem desde sinalização até proibições de publicidade de tabaco.

Nos últimos 12 anos, Shenzhen mobilizou agentes de fiscalização 2,25 milhões de vezes, investigou 160 mil violações e aplicou várias multas consideradas marcos por terem sido as primeiras do tipo na China, segundo Wu. A cidade também opera um miniprograma no WeChat pelo qual cidadãos podem denunciar infrações, o que levou à resolução de quase 40.000 reclamações.

Shenzhen agora exporta seu modelo para uma região mais ampla. Na 5ª feira, 9 cidades continentais da Grande Baía, ao lado de Hong Kong e Macau, lançaram uma iniciativa conjunta para construir uma “Grande Baía sem Fumaça”.

A coalizão planeja aplicar com rigor as leis locais de controle do tabaco, assegurar ambientes públicos fechados e passagens de fronteira livres de fumaça, estabelecer canais regulares de comunicação e reprimir a distribuição de tabaco, incluindo a proibição de máquinas de venda automática de cigarros de autoatendimento e o bloqueio de canais logísticos ilegais.


Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 29 de maio de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

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