Estados Unidos estudam taxar em 25% diferentes produtos brasileiros, com exceção daqueles considerados estratégicos pelo governo Trump

Um levantamento da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) publicado nesta 3ª feira (2.jun.2026) indica que se os Estados Unidos confirmarem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o impacto pode ser de até US$ 15 bilhões anuais em exportações para o mercado norte-americano. Leia a íntegra (PDF – 326 kB).

A estimativa, contudo, considera o pior cenário. O montante de US$ 15 bilhões representa a totalidade de exportações que podem ser afetadas. Logo, para que o prejuízo chegue a esse valor, as exportações teriam de ser cessadas por completo. Se a demanda norte-americana cair proporcionalmente ao aumento de preço causado pela tarifa, o valor total das exportações brasileiras afetadas poderia recuar para US$ 12 bilhões.

A estimativa é baseada no relatório preliminar do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês), que propôs a sobretaxa. A Amcham toma como referência os valores anuais de 2024, antes do 1º tarifaço do governo norte-americano. 

O levantamento indica que os setores mais impactados seriam os da indústria de base: máquinas e equipamentos, agronegócio, produtos florestais e alimentos processados. Segundo a Amcham, o montante representa cerca de 35% de tudo o que os EUA importam atualmente do Brasil.

Entre os 15 principais produtos brasileiros que correm o risco de serem sobretaxados, o ferro-gusa lidera isolado as perdas potenciais: somente em 2024, o comércio desse insumo movimentou US$ 1,53 bilhão.

Leia a lista:

  • Ferro-gusa – US$ 1.536,4 milhões;
  • Carregadoras autopropulsadas dianteiras – US$ 470,6 milhões;  
  • Açúcar de cana – US$ 439,6 milhões;  
  • Molduras de madeira padrão de pinho – US$ 350,5 milhões;  
  • Gorduras de animais – US$ 345,9 milhões;  
  • Avaliadores e niveladores autopropulsados – US$ 321,7 milhões;
  • Tratores para instalação de esteiras, adequados para uso agrícola – US$ 247,4 milhões;
  • Tabaco – US$ 246,1 milhões;
  • Granito – US$ 234,6 milhões;
  • Compensado de chapas de madeira, 6 mm de espessura cada – US$ 214,5 milhões;
  • Álcool etílico não desnaturado – US$ 202,4 milhões;
  • Café instantâneo – US$ 171,6 milhões;
  • Transformadores elétricos líquidos com potência não superior a 650 KVA – US$ 155,1 milhões;
  • Peptones e seus derivados; substâncias proteicas e seus derivados – US$ 152,0 milhões;
  • Cartuchos e cartuchos vazios – US$ 148,6 milhões.

Apesar do cenário de alerta, a Amcham destaca que o relatório do USTR é preliminar. O próprio órgão reconheceu a existência de avanços nas negociações bilaterais em curso entre os governos do Brasil e dos EUA.

Com isso, abre-se uma oportunidade diplomática para que os países busquem soluções alternativas que evitem a aplicação de barreiras tarifárias. O prazo para as negociações e para a tomada da decisão definitiva está fixado para o dia 15 de julho.

produtos livres da sobretaxa

Segundo a proposta inicial do USTR, alguns produtos brasileiros, considerados estratégicos para os Estados Unidos, ficariam livres da sobretaxa.

Leia a lista abaixo:

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor: Poder360 ·

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação