O governo do presidente Lula da Silva (PT) registrou em maio de 2026 o maior volume mensal de pagamento de emendas parlamentares desde o início da atual gestão. Dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos, compilados pelo Siga Brasil, apontam que foram liberados R$ 16,1 bilhões em apenas um mês, valor recorde dentro do atual mandato.
A expressiva execução orçamentária ocorreu em meio à intensificação das articulações políticas no Congresso Nacional e durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, tema que mobilizou parlamentares da base governista e da oposição.
Do montante liberado em maio, R$ 11,2 bilhões correspondem a emendas individuais, consideradas de execução obrigatória. Outros R$ 3,3 bilhões foram destinados às emendas de bancada estadual, enquanto R$ 1,5 bilhão contemplou emendas de comissão. Também foram pagos R$ 25,2 milhões referentes a restos de emendas de relator.
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a aceleração dos pagamentos atende às determinações estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que exige que 65% das emendas obrigatórias sejam executadas até o encerramento do primeiro semestre.
Apesar da justificativa técnica, o calendário dos repasses coincidiu com momentos decisivos das negociações políticas em Brasília. Na véspera da votação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, em 27 de maio, o governo autorizou a liberação de R$ 2,9 bilhões em emendas. Duas semanas antes, outros R$ 3,4 bilhões já haviam sido transferidos durante as tratativas para viabilizar a apreciação da proposta.
Entre os principais beneficiados pelos repasses aparecem colegiados do Congresso Nacional. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal recebeu R$ 888 milhões, liderando o ranking de liberações. Na sequência aparece a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, com R$ 354 milhões destinados a projetos e ações vinculadas à área.
O salto registrado em maio contrasta com os números observados nos meses anteriores. Em abril, o governo havia executado apenas R$ 1,4 bilhão em emendas parlamentares. Até então, o maior desembolso de 2026 havia ocorrido em fevereiro, quando foram pagos R$ 2,5 bilhões.
Segundo os dados orçamentários, até o final de maio o Executivo federal havia quitado R$ 14,5 bilhões dos R$ 37,8 bilhões previstos para emendas obrigatórias neste ano. Para atingir a meta estabelecida pela LDO, ainda será necessário liberar aproximadamente R$ 10 bilhões até o encerramento de junho.
Na comparação histórica, o resultado alcançado pelo governo Lula representa um dos maiores pagamentos mensais já registrados. O valor só fica abaixo do montante pago em junho de 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), quando foram executados R$ 17,8 bilhões em emendas parlamentares, em valores corrigidos pela inflação.
O cenário reforça a importância das emendas parlamentares como instrumento de execução orçamentária e também como elemento central nas negociações políticas entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, especialmente em votações consideradas estratégicas para o governo federal.
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