As doenças cardiovasculares continuam liderando as causas de morte no Brasil. Somente nos primeiros meses de 2026, mais de 78 mil brasileiros perderam a vida em decorrência desses problemas, segundo dados do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Embora fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo sejam amplamente conhecidos, uma relação ainda pouco discutida merece atenção: a conexão entre a saúde bucal e a saúde do coração.
Saúde bucal também influencia o coração
Especialistas alertam que infecções na gengiva e doenças periodontais podem provocar impactos em todo o organismo. Essas inflamações afetam os tecidos que sustentam os dentes e, quando não recebem tratamento, favorecem a circulação de bactérias pela corrente sanguínea.
Como consequência, aumenta o risco de complicações cardiovasculares. O problema se torna ainda mais preocupante para pessoas que já convivem com doenças cardíacas.
Além disso, a saúde bucal desempenha um papel importante no equilíbrio do organismo. Por isso, manter consultas regulares ao dentista ajuda não apenas a preservar dentes e gengivas, mas também a prevenir problemas que afetam a saúde geral.
Inflamações podem aumentar os riscos cardiovasculares
Diversos estudos científicos observaram a relação entre saúde bucal e saúde cardiovascular nas últimas décadas. As pesquisas apontam que pessoas com doença periodontal apresentam maior risco de desenvolver problemas cardíacos devido ao processo inflamatório crônico causado pela infecção.
Além disso, algumas cardiopatias aumentam a vulnerabilidade a infecções graves, como a endocardite infecciosa. A doença afeta estruturas internas do coração e pode provocar complicações severas quando o diagnóstico demora.
De acordo com o cardiologista Dr. Thiago Germano, a prevenção cardiovascular precisa considerar diferentes aspectos da saúde.
“Ao falar sobre prevenção cardiovascular, normalmente pensamos em alimentação saudável, atividade física e controle dos fatores de risco tradicionais. Mas a saúde bucal também faz parte desse cuidado. Processos inflamatórios causados por infecções gengivais podem impactar o organismo como um todo e representar um fator adicional de risco para pacientes cardíacos. O acompanhamento odontológico regular deve ser entendido como parte da estratégia de proteção da saúde cardiovascular”, afirma.
Diagnóstico precoce reduz complicações
Apesar das evidências científicas, muitas pessoas ainda procuram o dentista apenas quando sentem dor ou percebem algum problema aparente. Com isso, as doenças periodontais costumam evoluir de forma silenciosa.
Nas fases iniciais, os sintomas podem passar despercebidos. Entretanto, a falta de tratamento compromete não apenas a saúde bucal, mas também o bem-estar geral.
Segundo a dentista Dra. Geisa Cantelli, a boca não deve ser analisada separadamente do restante do organismo.
“A cavidade oral funciona como uma porta de entrada para diversas condições que podem impactar a saúde sistêmica. Inflamações e infecções bucais podem gerar repercussões importantes, principalmente em pessoas que já possuem alguma doença cardiovascular. Sangramento gengival, retração da gengiva, mau hálito persistente e mobilidade dentária são sinais que merecem atenção e avaliação profissional. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controle da doença e prevenção de complicações”, explica.
A especialista reforça que observar os sinais de alerta e buscar atendimento profissional rapidamente ajuda a evitar a progressão da doença.
Consultas regulares fazem parte da prevenção
Especialistas recomendam que pacientes com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, valvopatias, arritmias ou outras doenças cardiovasculares mantenham acompanhamento odontológico periódico.
Também é importante informar ao dentista sobre doenças preexistentes e medicamentos em uso. Essa troca de informações permite um atendimento mais seguro e personalizado.
Além das consultas, hábitos simples fazem diferença. Escovar os dentes após as refeições, usar fio dental diariamente e manter uma alimentação equilibrada ajudam a prevenir infecções e inflamações.
Integração entre especialidades fortalece o cuidado
Para o Dr. Thiago Germano, ampliar o conhecimento da população sobre a relação entre boca e coração ainda representa um dos principais desafios da prevenção cardiovascular.
“Muitas pessoas desconhecem completamente essa conexão. Cuidar da saúde bucal não é apenas uma questão estética ou relacionada aos dentes. Trata-se de uma medida importante para a saúde geral e, especialmente para pacientes cardíacos, pode representar um fator relevante na redução de riscos e na promoção da qualidade de vida. Cuidar da boca também é uma forma de cuidar do coração”, conclui.
As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no Brasil. Por isso, especialistas defendem uma visão mais ampla da prevenção. Nesse cenário, a integração entre cardiologia e odontologia ajuda a identificar fatores de risco precocemente, reduzir processos inflamatórios e fortalecer os cuidados com a saúde.
Mais do que preservar dentes e gengivas saudáveis, o acompanhamento odontológico regular contribui para uma vida com mais segurança, bem-estar e qualidade de vida.
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